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Matraca Cultural


O Provincianismo do colonizado

Dizia o Nietzche que –“o outro lada da moeda da moral do senhor ainda é a moral do senhor”. Ele dizia isso para alertar ao escravo que, se desejava lutar contra o seu explorador, tinha de criar uma nova moral, não bastava apenas fazer o contrário para ser “verdadeiro”. Essa máxima nos faz pensar um pouco como se dá a luta política por parte daqueles que tem um fraco entendimento de sua prática.

 

Esse início é só para dizer como é infantil, risível e boçal a piadinha do Senhor Presidente a República sobre o convite do FMI para que o Brasil lhe empreste dinheiro. Disse o Presidente com suas palavras “irônicas”: “não é uma piada, nós que ficávamos de crise em crise fazendo empréstimos do FMI agora emprestarmos dinheiro para ele? Eu me lembro que na década de 70 carregava cartaz com os dizeres fora FMI.”  Ainda na primeira gestão do senhor Lula da Silva fui convidado a participar de uma reunião de secretários do PT  na cidade de Osasco a convite do Partido. Antes de mim falou o “Silvinho”, é ele mesmo, o Silvinho da Land Rover usada. E todo empolgado, com o poder e com suas próprias palavras, é incrível como a gente se torna narciso com a proximidade do poder, dizia de uma pesquisa que tinha sido feita sobre o governo do Lula e aparecia, como acerto em primeiro lugar, a Política Externa. E toda a claque de Secretários de Cultura o aplaudiu freneticamente.

 

Depois de duas horas de atraso, da hora marcada para que eu falasse, comecei a minha “parolação” comentando, no meu modo de ver, essa besteira dita por um dos secretários do Partido dos Trabalhadores, que comemorava os resultados da política externa e nada comentava e/ou comemorava das políticas internas. No meu modesto modo de ver não encontrava nenhum motivo para comemoração, a não ser por uma submissão colonizada de se querer agradar o estrangeiro, o europeu culto, os grandes “major” das transnacionais, deixando o povo a ver navio.

 

Novamente, e infelizmente, o Presidente da República fica contente em emprestar dinheiro para o FMI, sendo que o que deveríamos comemorar era algum fato que, de fato, tivesse beneficiado a maioria excluída da população. Embalado pelo elogio do Obama – “este é o cara”- a espalhar seu sorriso pelos noticiários nacionais e internacionais, o que está sendo camafluda é a situação em que se encontra as principais áreas de política públicas sociais – educação, saúde, emprego, moradia, saneamento, doenças endêmicas (quem diria que o estado de São Paulo sofreria uma ameaça de febre amarela a dois anos atrás?), etc. e tal. Como diz Guy Debord - o nosso Presidente aprendeu rápido, depois de 20anos disputando eleições e perdendo por não ter uma “imagem” aceitável (assim diziam seus marqueteiros, tipo Duda Mendonça) que na nossa sociedade a “imagem” prevalece sobre a realidade. Assim, a piadinha do empréstimo de dinheiro para o FMI faz com que muitos simplórios acreditem que agora somos independentes e estamos por cima da carne seca. E deve ter um monte de “fãs” do presidente comemorando, como se tivessemos ganho uma Copa do Mundo.

 

O que, como indivíduo, tem me irritado muito ultimamente, é a ambição provinciana de nossos políticos. Tanto a situação como a oposição, e por isso o país está nesse marasmo ideológico e político, ambicionam o menor, o pequeno, o irrisório, se contentam com aquelas “vitórias de Pirro” que nada acrescentam. E esse sentimento tem sido passado para o restante da população. Desesperançada, sem paradigmas que lhe apontem um “futuro” muito distinto da miséria espiritual e material em que vive, passa a ambicionar o “ridículo” da vida. Vamos ver alguns exemplos. Por exemplo, não acompanho novelas, mas aqueles que o fazem dizem da falta de qualidade das últimas produções da globo platinada. No “Caminho das Índias”, em um capítulo, a Vera Fischer chega na Índia entra em uma loja de um indiano, todos falam Português como se todos os espectadores fossem idiotas. A verossimilhança que se dane. E o público, por puro comodismo e conservadorismo, contuinuam assistindo e dando Ibope a rede. Nas discussões para as eleições de 2010, outro exemplo, o “grande partido de oposição” ("faz me rir o que andam dizendo") o PSDB fica na picuinha do Aécio e do Serra, como se tivesse alguma importância para a nação, Nenhum dos dois diz algo substancial, que indique que haverá alguma mudança nos rumos da administração federal. Olhando o governo mineiro e paulista, aqueles que tem algum senso crítico, sabem que nada mudará, até porque os dois adoram as “imagens”e fazem muito pouco do povo, que não passa de voto a ser conquistado. Vide quando Serra ganhou a Prefeitura de São Paulo, prometeu que ficaria até o último dia e caiu fora para ser Governador. Pena que a nossa memória não passe de alguns dias apenas e nossa indignação fique por conta de alguns palavrões somente.     

 

E os cidadãos o que fazem? Ou, melhor, há alguma coisa a ser feita? Ou, como gostam os políticos, somos meros espectadores esperando a hora de, como coadjuvantes, ir até uma sessão eleitoral depositar o nosso voto em um boçal qualquer da política local ou federal? Essa boçalidade e provocação das “elites” chega ao cúmulo do que fizeram com a dona da Daslu. Presa e condenada a 94 anos é solta, e toda a imprensa condenou a justiça que a prendeu, pelo fato de que ela está com uma doença grave. E a maioria dos medíocres devem ter concordado com esse ponto de vista, já que a tendência do explorado é adotar a “moral” do explorador. Esses acontecimentos vai moldando a nossa mente, as nossas ambições pessoais, introjetado em nosso ser, como se fosse nossa própria pele. Como se vacinar contra essa mediocridade? Não tenho a receita, mas seria interessante que todos fizessem um esforço para encontrar um fórmula que conseguisse reverter esse triste quadro social e cultural do país.

Pacto Republicano. Eu sempre pensei que, por vivermos em uma República Federativa, os poderes constituidos - Executivo, Legislativo e Judiciário - não necessitasse de fazer pacto nenhum para serem republicano. Mas está semana reuniu-se em Brsilia - Lula, Sarney, Michel Temer e Gilberto Mendes - para fazerem um pacto repubalicano. Será que agora seremos uma república? Isto é, como diz a nossa carta magna - todos seremos iguais perante a lei? O que esconde esse pacto é a sua real motivação. Ele está sendo alardeado contando com nossa falta de memória e submissão cultural aos poderosos. Esse pacto republaicano nada mais é que a reafirmação  dos direitos dos mais iguais, isto é, das nossa elites -conômica e política- sobre o sem direito, a maioria da população. E tudo porque os nossos defensores públicos, inclusive seu Gilmar Mendes, ficaram escandalizados com o uso de algemas na prisão do senhor Daniel Dantas que está, paulatinamente, sendo transformado de réu em vítima, agora com o afastamento do senhor Protogenes (que nome mais sem nexo). O pacto republicano é simplesmente para salvaguardar os privilégios dos "enricados". é claro que não inclui, no caso das algemas, aqueels presos da periferia, negros, da classse c, que já deveriam agradecer por estarem vivos. Porque pobre não tem problema só com a algema, mas com os olhos roxos de apanhar na delagacia, quando não são jogados de alguma ponte em um rio qualquer como aconteceu dias atrás. E as cadeias, que swriam para recuperar o condenado, continuam sendo depositos de humanos e fábricas de bandidos. E os planos de saúde, principalmente aqueles que atendem a classe média e mais pobres estão falindo e seus usuários sendo deixados na calçada sem nenhum atendimento. Essa crise que vai estourar não levará muito tempo, vai complicar ainda mais o sistema público de saúde que já é um lixo e não respeita os mínimos direitos do cidadão. Outro dia noticiaram que agora no sistema público para se ter uma consulta não poderá demorar mais do que 60 dias. Deve ser o tempo, calculado por algum "Goebles", para que na méida os pacientes passem dessa para a melhor. Mais assim como a gente não vê vereador pegando onibus, não vamos ver deputado e senadores na fila do SUS. Eles tem o privilégio de serem atendidos nos hospitais de ponta do país. Porque eles mostrariam algum intersse por reformular os atual sistema e punir as operadoras dos planos de saúde?

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 Estão em cartaz: "Querô" no Galpão do Folias (tel.33612223). "A Curandeira", no Centro Cultural São Paulo. "Encruzilhados" no Centro Cultural São Paulo. "Quem não sabe mais quem é, o que é e onde está precisa se mexer", Cia. São Jorge em seu teatro na Barra Funda. "Os Palhaços", Teatro do Grupo Feijão, teodoro Baima. E se tiverem curiosidade e deixarem de sempre optarem pela mesmice hão de encontrar um monte de outros programas.

 



Escrito por maiafolias às 07h47 PM
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A Opção Pelo Atraso

GROTÕES: Regionalismo: Brasil. Uso: informal.lugar, região longínqua, ger. o interior, em relação aos centros urbanos.Ex.: os grotões votaram em massa nos candidatos conservadores

Todo país com desenvolvimento desigual como o nosso, o que antingamente era chamado de subdesenvolvido e hoje é nomeado de emergente, se vê constantemente diante da necessidade de escolher entre ficar preso ao atraso ou forjar uma nova realidade que o supere. Obviamente, para muitos leitores, pode parecer inacreditável que alguém diante do atraso e do avançado possa escolher o primeiro. No entanto, analisando a realidade desses países emergentes e/ou subdesenvolvidos, como se queira, não só é uma possibilidade como é a opção primeira de muitos governos. A maneira de Bertolt Brecht vamos mostrar porque isso se dá em maior constância do que possamos imaginar.

Para melhor compreensão do que pretendo vou discutir esse assunto tendo em vista a Questão Cultural. Vamos pensá-lo não só enquanto criação de "obras de arte", nas diferente linguagens artísticas, mas no sentido maia amplo que conforma, até, os costumes de um povo/país.  E apesar da Questão Cultural não ser uma Questão de Estado em muitos países, no nosso continente assim se dá em sua grande maioria, vamos compreender porque em todos os governos, há uma política cultural, que passa como não sendo uma "política", mas que útil aos interesses de manipulação e de dominação dos políticos, mesmo daqueles que se declaram "progressitas e do lado do Povo". São políticos e políticas que, ao serem formulas alegam fazer justiça, mas estão optando ao clientilismo que sobrevive nos "grotões", tal qual na definição do Dicionário do Houaiss.

No Brasil, para falarmos de nossos próprios pecados, essa opção pelo atraso fica nítida quando se discursa, se escreve, se teoriza sobre as nossas diferença regionais de desenvolvimento. Antes do importante ensaio do Prof. Francisco de Oliveria sobre a convivência dos dois brasis, se acreditava que o "atraso" nordestino nada tinha a ver com o "desenvolvimento" do sudeste e sul do país. Não se entendia que para ter a São Paulo industrializada, era necessária a existência do nordeste paupérrimo e atrasado. Ora, assim como durante muitos séculos não se entendeu que, para a existência da Europa iluminista culta e civilizada foi necessário o Novo Mundo escravocrata, dependente, governado segundo os interesses dos colonizadores. A a cultura, nesse caso é uma boa área como um exemplo fantástico da importância da superação e ruptura com as política que privilegiam os grotões. Até a vinda da Comitiva Real para o Brasil, fugindo de Napoleão, isto é, até a chegada de Dom João VI e sua corte, a colonia brasileira estava proibida de ter gráficas, de imprimir seus escritos, jornais, panfletos, etc. e tal. Ou seja, o Brasil até o início do século XIX dependia da metrópole em tudo que disesse respeito ao processo gráfico de imprensão, fundamental para acabar com o analfabetismo e para a difusão e divulgação do saber e do conhecimento. Talvez, não seja por outro motivo que até hoje não temos uma grande tradição de leitura, não seja a literatura um fenômeno de massa.  Mas foi essa proibição, essa Censura que possibilitou que uma série de questões políticas, que eram comuns e de assimilação popular na Europa só nos tocassem tardiamente. Entre essas questões está a escravatura, a última a se encerrar em todo o mundo. Essa "ignorância" dos acontecimentos, das teorias e reflexões levada a efeito em outros países,  é que nos fez dependentes e ligados a metrópole por tantos anos. Entre nós o processo de "alfabetização" em massa é um fato histórico recente. Se levarmos em consideração que Dom João VI veio em 1808, que só então foi permitida a indústria gráfica, vemos que todo esse processo tem apenas 200 anos, o que historicamente é nada.

Mesmo fazendo 200 anos da permissão para a impressão de livros e etc. e tal, temos ainda que discutir que o processo de alfabetização e universalização da educação pública em nosso país é carente e distorcido até hoje. De novo a questão Cultural é excelente para nos revelar essa injustiça e "política camuflada" de nossa elite branca. Em pleno século XXI se arrasta no congresso a discussão de "cota" para os afro descendentes terem acesso as universidade públicas, já que ao se discutir isso deu-se por "normal" a desqualificação do ensino público gratuíto. E ainda há, no Congresso atual, uma série de políticos que são contra, alegando outras razões,pretensamente democráticas, para não se aprovar as cotas. O que deixa claro essa discussão? Primeiro, o nosso país tem um sistema de distribuição de renda mais injustos do mundo. Não por outro motivo ainda tantas crianças está fora do sistema educacional, porque tem que ajudar seus pais na renda familiar, isto é, tem que trabalhar. Esse sistema injusto de distribuição de renda é coadjuvado pela distribuição injusta de direitos. Ou seja, o sistema público de ensino brasileiro é de péssima qualidade, tendo como alunos os excluídos do poder e da renda. População que forma o grande exército de mão de obra desqualificada, fundamental para a "acumulação do capital", já que sua remuneração é muito próxima do mínimo necessário e curral eleitoral de políticos inescrupulosos. A existência de ong´s trabalham na qualificação dessa mão de obra, o faz para mantê-las desqualificadas e suprirem as exigências de "sociedade que se diz democráticas". O ensino de informática, para suprir a necessidade das caixas dos supermercados, são os cursos mais encontrados. E porque tem que se manter esse grande exército "ignorante"? Esse é outro dado cultural importante do país.

Quanto mais inculto forem as massas, mas fácil será para a existência e manutenção dos políticos que tem na política uma forma de aumentar o seu "Capital". Isso é, não vou nomeá-los de "coroneis" da política, porque isso dava conta do assunto nos anos 30/40, hoje esses políticos estão concentrados nas cidades, manipulam os eleitores nos "grotões", mas defendem o que há de mais avançado em capitalismo globalizado, isto é, os interesses das transnacionais, do agro negócio, etc. e tal. Para esse político e para esse tipo de Partido Político, quase em sua mioria dos existentes hoje, não interessa ter um indivíduo crítico, com uma visão crítica do mundo em que vive. E isso é válido para o nordeste, para o Estado de São Paulo e para a cidade de São Paulo, onde está concentrado o setor da econômia mais avançado do país, que é o setor de serviços. E como se dá essa opção em termos culturais?

Quando analisamos que a cultura não é uma questão de Estado passamos a compreender o porque ela é tão desmerecida e ignorada nos orçamentos públicos e está entregue ao setor privado, através das Leis de Incentivo, para se realizar como criação. Vamos analisar primeiro como se dá esssa "atuação" nos grandes centros, onde se concentra a mudernidade e o "progresso", para usar duas palavrinhas bem desgastadas. Nos grandes centros industriais o grande instrumento de manutenção dessa "política conservadora e atrasada" está entregue ao capital privado. E porque isso? Num país emergente como o nosso, onde os grandes capitais vêem só para aumentar sua lucratividade e não para se implantar e criar raízes, não tem nenhuma preocupação com uma possível  "função social do Capital". Acreditar nisso é como acreditar que o lobo vai tomar conta das ovelhas sem cair em tentação. O investimento das grandes transnacionais e Estatais nas Leis de Incentivo só visam, baixo custo, a divulgação e dessiminação de suas "marcas" junto as grandes massas.  Vide, por exemplo, os mais diferentes festivais de música eletrônica, etc. e tal, que são feitas pelas cervejarias nacionais para atingir os jovens(sempre são de música estrangeira e ligadas a grande industria cultura transnacional). Ou o financiamento de atividades ditas de "inclusão social", como os projetos que ensinam alguma habilidade para um excluído, visando a identificar sua marca com as ações de "preocupação social" com os brasileiros em geral e servindo de paráchoque da rebeldia.  Ou seja, para essas transnacionais e estatais a Questão Cultural é, assim como a questão social, uma forma de divulgação de seus produtos e marcas. Poucos estão interessadas na "cultura e no seu desenvolvimento". Por outro lado, ela só empregará seus recursos naquelas criações que correspondem a seus interesses comerciais e divulgam a sua ideologia. Caso isso não se dê, elas simplesmente não financiarão, isto é, elas censurarão. E tudo isso, vale dizer, é lucro certo para as grandes empresas duas vezes. Uma vez porque divulgam suas marcas, outra vez porque fazem tudo isso com o dinheiro público, já que o dinheiro que aplicam é resultante de impostos que deixam de pagar. Isso é, fazem tudo isso sem enfiar a mão no bolso e dispender recursos próprios. Para os governos que optam pelo atraso, esse tipo de política é usada como se fosse o que demais avançado há para financiar a cultura. Sendo que, mesmo antes da crise financeira que atravessa o mundo esse modelo já estivesse superado nos centros mais avançados. Aqui, como no restante da América Latina, essa política foi uma justificativa para o Estado se desonerar da Questão Cultural que foi entregue ao setor privado. E porque é um atraso?

Vamos analisar sob o seguinte prisma. Num país com desenvolvimento desiqual as regiões que mais sofrem com uma política baseada no Capital privado são aquelas cujo processo de industrialização é tardio ou não realizado plenamente. São as regiões que ainda dependem economicamente da economia estrativista ou rural não exportadora. Essas regiões não tem como se beneficiar do possível financiamento do Capital, já que não há grandes excedentes e o seu modo de produção não necessita dessa "ferramenta" publicitária para otimizar lucros. Essas regiões são punidas duplamente. Pela ausência de orçamento público para a área de cultura, já que como dizem as regiões mais avançadas a cultura é mercadoria e deve se virar com as leis de Mercado; e com a ausência de empresas interessadas em aplicar seus recursos na área cultural. Elas ficam entregues a esse abismo onde o que se nota é a ausência do Estado que não cumpre com suas atribuições e obrigações. Isso não se dá só na Cultura, mas em todas as áreas que não são do interesse do Capital, logo, do próprio aparelho de Estado que é dominado pela ideologia do sistema capitalista. E porque os políticos locais não reagem a essa ausência do Estado, da falta de orçamento público para a área cultural?

Esse ponto é o mais importante. Os políticos não reagem por dois motivos. Primeiro, por "ignorarem" a questão cultural. Eles mesmos são, em suas maioria, incultos. No máximo acreditam que cultura é aquilo que é divulgado pela "indústria cultural", isto é, aquilo que passa na televisão. E quando são cultos, as vezes se encontra algum, nada fazem porque sabem que, se a grande maioria da população tiver uma vida cultural "sadia", desenvolverão o seu senso crítico ficando mais difícil de serem manipuladas e controlados politicamente. Ou seja, é melhor mantê-las "ignorantes" de sua potencialidade criativa, mantê-las como simples consumidoras da cultura que lhes é oferecida pela televisão e o que lhes é vendido como cultura pela mídia impressa, eletrônica, etc. e tal. Outra motivo para esses políticos "ignorantes" não fazerem nada é o uso da criação popular, descontextualizada,  "folclorizada" (há um sentido pejorativo para essa palavra, tal como para a denominação de teatro amador), isto é, como manifestação do "povo" que não tem qualidade, coisa a ser usada no fomento ao turismo, mas que nada acrescenta ao mundo da cultura. O que na sua origem é uma criação que expressa a identidade da comunidade, é esvasiada de seus conteúdos críticos e transformada em manifestação exótica. Dessa forma esse contingente social é mantido sobre a tutela desses manipuladores que, utilizando-se do dinheiro público, na maioria dos casos, financiam economicamente essa ou para aquela manifestação, conforme se materialize a sua fidelidade e servilidade ao mecenas de plantão. A política do guichê, do quem indicou, de que partido é você, para que faz a sua "arte"? Quando viajamos pelos grotões conhecemos uma proção desses "artistas" protegidos pelos mecenas locais. Vocês já viram algum salão de artes, com as infinidades de margaridas e montanhas pintadas e expostas com se fossem arte plásticas?  Ou as milhares de academias de letras interioranas, não muito distintas da Academia Brasileira de Letras e seus fardões. Para quem não sabe o que é isso leia "Ato Cultural"de José Ignácio Cabrujas.   

Essa opção pelo atraso revela-se com uma forma eficaz de manter a sujeição de populações inteiras, para não se dizer de um país inteiro, a interesses que não são os seus seus iludidos que estão com essas "forma dopantes" de se apresentar a realidade ao cidadão. Aparentemente não teriam as criações culturais nenhuma outra função do que propiciar horas de lazer para quem pode pagar por ela. Isso é o que nos informa os grandes administradores das coisas culturais pelo viés do atraso, da conservação, da manutenção da grande maioria da população na sua santa ignorância. Collor sabia disso e quando tomou posse indicou Ipojuca Pontes para fazer o serviço sujo na área cultural acabando com as disferentes fundações, caso da FUNDACEN, por exemplo. E entregou ao Mercado o que era função e obrigação do Estado como está escrito na Constituição Federal. O mais curioso é que os governos que o sucederam continuaram a praticar a mesma "política cultural"- aquela que é ditada pelo interesse do Capital privado, utilizando dinheiro público, dizendo o que pode e o que não pode ser feito. A ausência do Estado na área cultural é o que nos faz ficar em dúvida sobre quem  somos e o que somos. O que nos dificulta a identificar os nossos desejos e sonhos de presente e futuro. A nos reconhecer em nosso passado e com isso sabermos que fio invisível da história nos une a nossos antecessores. Enfim, essa falta de identidade cultural é o que faz o mercada se tornar global, é o que nos faz com vestir e comer aquilo que nada tem a ver com o nosso clima e nossos hábitos. Essa falta de identidade cultural é o que mantêm em alta e em expansão o mercado mundial do Mac donald's, da calça jeans, do chiclete, das camisetas com escritos em inglês. É o atraso cultural, social e político que tanto interessa as forças da conservação.

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Em cartaz: "Querô" - Galpão do Folias . "A Curandeira" e "Encruzilhados"no Centro Cultural São Paulo.  

                     



Escrito por maiafolias às 03h32 PM
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O fim melancólico de um "pé de vento"

CARTA DE SALVADOR

 O Movimento Redemoinho, que une grupos teatrais de 14 estados do país, tem participado do intenso debate que ocorre há anos sobre a reformulação das políticas públicas para a área cultural.

 Nesse período, o movimento, na contramão de propostas de ação pública baseadas em renúncia fiscal, chegou a formular um projeto de fomento – o Prêmio Teatro Brasileiro – que prevê não apenas a manutenção de trabalhos continuados, mas a produção e a circulação de espetáculos, através de verbas do orçamento da União.

 Em paralelo, através de documentos públicos, discussões e artigos de jornal, o Redemoinho reafirmou seu interesse em trabalhar a favor da construção de ações públicas que sejam capazes de desprivatizar e desmercantilizar os processos culturais tais como ocorrem no país hoje.

 Era nesse sentido que o movimento aguardava com enorme expectativa a proposta de reformulação da Lei Rouanet, uma das principais ferramentas da distorção privatista que rege o trato de recursos públicos para a área cultural.

 O projeto apresentado pelo Ministério da Cultura, o chamado Profic, que se apresenta como o substituto do Pronac, sustenta-se sobre as mesmas bases: o Fundo Nacional de Cultura, os patrocínios privados com renúncia fiscal e o Ficart – Fundo de Investimento Cultural e Artístico.

 A novidade aparente é a tentativa de articular essas instâncias num sistema capaz de controlar aquilo que surge como excesso nas captações e destinações.

 O que permanece intocado, entretanto, é o fundamento da lei – que não é apenas um excesso, mas uma aberração: a gestão privada de recursos públicos.

 O monstro privatista continua a ser alimentado, segundo regras aparentemente mais eficazes e rígidas. Mas a serviço do quê? Os departamentos de marketing continuam a gerir recursos públicos, o governo continua a transferir sua responsabilidade para os gerentes das corporações, a cultura continua a ser tratada como negócio.

 Diminuir a porcentagem da transferência de recursos, com normas moralizadoras, não muda a natureza da omissão, nem o fundamento privatista do processo.

(...)

  Além disso, o Redemoinho defende uma política pública para a cultura que contemple vários programas (e não a renúncia fiscal como programa único) com recursos orçamentários próprios e regras democráticas estabelecidas em lei como política de Estado.

 Não haverá transformação cultural enquanto as ações humanas forem organizadas pela lógica da eficácia mercantil e a cidadania for construída na perspectiva do consumo.

 REDEMOINHO

Movimento Brasileiro de Espaços de Criação, Compartilhamento e Pesquisa Teatral

 

V Encontro Nacional, Salvador, Bahia, 24 de março de 2009.   

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                                               “Nós não podemos mais conversar um com o outro”, disse o Senhor Keuner a um homem.”Por quê?” perguntou o surpreso. “Em sua presença, já não me ocorre nada de razoável”, lamentou-se o Senhor K. “Mas não me importo em absoluto”, consolou-o o outro. – “Isto eu acredito”, disse o Senhor K. amargurado, “mas a mim Importa.”

                                                                                Histórias do Senhor Keuner. [1]

 Lendo o documento acima do Redemoinho, escrito e aprovado na plenária de Salvador, ficamos atônitos por ter sido usado como motivo do fim deste movimento nacional de teatro de grupos. A única explicação possível é que ele foi usado para se acabar com o movimento, mas de fato não se constituiu em motivo real. Mas antes de tirar algumas conclusões pessoais gostaria de analisar o breve período de existência do Movimento Redemoinho.

 

 Para alguns o Movimento Redemoinho surgiu graças a generosidade do – Galpão - que colocou os recursos necessários para o seu primeiro encontro. Essa opinião foi expressa publicamente nos email da crise por conta do Edital Miriam Munis. É importante recuperar essa informação, porque independente do grupo que patrocinou o início do movimento, deixa claro a incompreensão por parte de alguns participantes de como se dá a Política. Num país que foi escravocrata, que há uma tendência a se “dever favor” para aqueles que simplesmente cumprem com o seu papel social,  em uma sociedade onde as relações sociais não conseguem se desvencilhar do emocional e do sentimental para resolver suas questões contraditórias e políticas, essa leitura está correta. Mas de princípio ela coloca um obstáculo fundamental às relações políticas livres, que é o fato de transformar o fato histórico em algo dado pela generosidade de alguém e não como construção coletiva. A casa grande como patrocinadora dos direitos da senzala.

 

 Em Belo Horizonte, no primeiro encontro, todos que foram passaram a fazer parte do movimento. As suas bases eram tênues. No segundo encontro (Belo Horizonte), graças a “generosidade” do Galpão e a ajuda da FUNARTE (do Grassi), os objetivos e os que poderia fazer parte foi melhor definido. Nos dois encontros  houve um posicionamento, mesmo com discordâncias, contra a Lei Rouanet e suas injustiças. É em Campinas (com a generosidade do Barracão e da FUNARTE) que as contradições internas começam a se tornar claras e a assumir um caráter Político a ser superado na discussão coletiva. E o resultado desse primeiro embate é a definição de dois interesses antagônicos coabitando o movimento. O centro do impasse: a Lei Rouanet que, nos diferentes encontros, era o que, de fato, dividia os participantes. Era como se o fato de se discutir a Lei de (des)Incentivo Cultural fosse punir os grupos do Movimento que tinham a sua vida garantida pelo patrocínio vindo dela. E, por outro lado, a crença de que com a discussão estava se proibindo que se concorresse aos “recursos públicos” da mesma lei.

 

 O grande embate, mas que não se apresentou dessa maneira, para aqueles que não lêem nas entrelinhas, se deu no encontro presencial de Porto Alegre. E lá, para não se enfrentar a contradição principal do movimento que era assumir uma posição política clara sobre o financiamento público – inventou-se o falso embate político com a FUNARTE e o seu Presidente (que destinou recursos para o encontro). Posso dizer isso porque, nos debates sobre o Miriam Munis, na troca de email’s, fui acusado de ser um “espião” infiltrado dentro do Movimento, isso depois de mais de 40 anos de militância política. Falso embate, mas de consequências políticas esperadas para quem queria isolar os favoráveis a um posicionamento claro do Redemoinho. De alguma forma, os “generosos” fundadores  vinham a público cobrar a sua fatura, como é de praxe na Política brasileira. E aqui vale alertar que não se trata de “radicalismo paulista”, “tancredismo” mineiro, “brizolismo” gaúcho ou o que quer que seja “racialmente definido”, porque se for isso é “facismo”. Trata-se que os argumentos Políticos quando escasseiam, transforma a Política em moralismo, em questão de elegância, de cavalherismo, em tudo aquilo que lhe é estranho. Quando impera a “alienação” se troca a Política pela fofoca e o fuxico da Casa Grande.  A divisão se deu, no fundo, porque há uma parte dos criadores/fazedores de teatro de grupo que acreditam no Mercado e na cultura enquanto mercadoria e há os que querem acabar com essa política discricionária e mercantilista. Isso não os faz melhores nem piores, mas é necessário que se assumam publicamente.

 

 O medo de se ficar contra o Mercado e seus auxiliares (os diretores dos departamentos de marketing). O bom “mocismo”, a fala mansa, o tom concialiatório, conduzindo a inconsciência daqueles que acreditam ser o “sistema capitalista e a democracia burguesa” o sistema das “oportunidades de todos alcançarem seu “Everest” . Em Política não é possível se agradar cearenses, matogrossenses, paulistas e mineiros o tempo todo. Fazer política é escolher caminhos.Não se pode conciliar com todos o tempo todo. E enfrentar as contradições de uma organização é, de alguma maneira, reconhecer sua diversidade e aceitá-la como seu “motor” impulsionador. Sem contradição não há vida, não há movimento. E para isso é necessário ir  a raiz dos problemas, isto é, ser radical. Há que se submeter a decisão da maioria. Senão porque se fundar uma organização, um partido, etc. e tal? O que não é admissível é se achar acima da decisão da maioria. Isso é fruto da soberba pessoal, do sentimento de se crer melhor que o coletivo, superior a ele. Em outros tempos, como diria Foucault na “Palavra e as Coisas”, esse ato era conhecido como “traição” ao coletivo. Falta grave, mesmo entre os Caiapós e Guaranis.

 

 Melancolicamente o movimento Redemoinho chega a seu fim. O que lamento muito é não ter sido fruto de uma discussão política entre seus pares. O movimento acaba revelando a nossa falta de preparo político. O medo de se enfrentar os adversários e inimigos, em conseguir ver que, mesmo no nosso seio, temos fantasmas a serem desmistificados. Que há interesses muito diversos e alguns deles inconfessáveis. Por sinal, o Banco Itaú entendendo tudo isso, fez do  “Próximo Ato”, que ultimamente é organizado pelo antigo Conselho Político do Redemoinho, o grande encontro nacional de grupos, como se possível fosse o Capital financiar o seu próprio fim.  Mas não há de ser nada, a gente começa tudo de novo! Afinal como dizia Bertolt Brecht: movimentos políticos não necessitam de herois, mas de militantes disciplinados.  Então, camaradas, até lá! 

 


[1] Bertolt Brecht, Histórias do Senhor Keuner, Clássicos Poplares, Porto Alegre, EU/Porto Alegre, 1998, pg. 38

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Escrito por maiafolias às 12h40 PM
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O Estado Ausente e a Classe Média

Até um tempo atrás o Estado era ausente para aqueles que não eram considerados consumidores. Isto é, a grande maioria da população que sequer ganha, as vezes, para sobreviver. No entanto, para a dita Classe Média, ele se fazia presente de alguma forma. E quando não se fazia, a dita classe média encontrava formas de substituí-lo. Fórmulas tipo: escola particular, plano de saúde particular, segurança privada, condomínio fechado. E com isso tudo foi piorando. Ou seja, o que era público foi ficando para atender os "excluídos", dessa forma não necessitava funcionar. O bom era mesmo que não funcionasse assim, talvez, se diminuisse o desemprego, etc. e tal. Acontece que agora, sequer o que é pago, caso dos exemplos abaixo, está funcionando. E a dita classe média não tem para quem pedir auxílio. Vejam essas notas quese seguem abaixo:

I

FIM DE CONTRATO NA SAÚDE AMEAÇA ATENDEMINTO

 

“Após 3 anos de contrato, em que controlou o sistema de diagnóstico por imagem na rede pública de saúde da capital, em 16 de março, a Amplus deixou de operar com raio X e ultrassom em 58 unidades sem ter instalado todos os equipamentos exigido no contrato de R$ 108 milhões feito com a prefeitura. A empresa é acusada de fraudes trabalhists e sonegação de ao menos R$1,2 milhão, na qual a Secretaria Municipal da Saúde é considerada corresponsável.” ( O Estado de São Paulo, 23 de março de 2009)

 

II

“Grávida de quatro meses, Patrícia da Silva Júlio afirma não conseguir fazer pré-natal adequado porque não encontra médicos e laboratórios credenciados pela operadora de saúde Avimed.
A empresa enfrenta problemas financeiros insolúveis, segundo a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). Por essa razão, em fevereiro a agência obrigou o plano a transferir toda a sua carteira -cerca de 300 mil clientes- a outras operadoras. O site da empresa informava ontem à tarde que os conveniados serão incorporados pela Itálica Saúde.”  

 

III

“A saúde nos planos de saúde

QUANDO DIGO acreditar que o capitalismo não morre, estou na verdade repetindo Karl Marx, com uma diferença, porém: para ele, como o capitalismo sai de cada crise mais vigoroso ainda, a única força capaz de liquidá-lo é a classe operária, por ele apelidada de "coveiro do capitalismo". Como, a esta altura, a classe operária está noutra, fico só com a primeira parte da tese marxista: por si, o capitalismo não morrerá nunca.
Não estou afirmando que isso é bom ou ruim.

 

O capitalismo não foi inventado por teóricos, nasceu espontaneamente do processo produtivo, movido pela iniciativa dos indivíduos que queriam melhorar de vida, produzir, vender, comprar, investir. Como as pessoas têm capacidades desiguais, nesse processo uns se deram melhor que outros, sendo que alguns poucos se deram muito melhor que a maioria. Por isso, o capitalismo expressa a desigualdade que caracteriza as pessoas e até mesmo as agrava. A ganância legitima toda e qualquer iniciativa, sem levar em conta que consequências terá na vida dos demais.

 

O socialismo foi inventado para introduzir, no processo econômico, a justiça, a igualdade, eliminando o capitalismo. Não o conseguiu. O jeito, então, é tentar melhorá-lo, já que é impossível acabar com ele. Sonho com um milagre: que o desenvolvimento tecnológico, fazendo com que as máquinas produzam sozinhas numa escala ilimitada -já que não recebem salário, não dormem e não tiram férias- e com isso seria inevitável a distribuição gratuita do que foi produzido. A acumulação de bens chegaria a tal nível que as mercadorias perderiam o valor e o mercado deixaria de existir...

 

Mas, até lá, os planos de saúde continuarão a nos cobrar pela vida. Não o fazem por mal, como vimos, pois é o capital que governa o capitalista ("O Capital", vol. 2, ed. Civilização Brasileira). Seu propósito é lucrar, promover o crescimento da empresa, custe o que custar (aos outros) e, se se trata de vender seguro saúde, há que curar as pessoas, gastando o mínimo possível. A bolsa ou a vida, diria eu, exagerando mas não tanto.
Os planos de saúde estão se tornando um problema grave para quem deles depende.

 

Como os planos melhores são caros, surgem planos baratos que são verdadeiras arapucas: você paga a mensalidade, mas, quando procura o médico, descobre que ele já não atende porque o plano não o pagou.
Só que os problemas não ficam nisso, pois mesmo os planos mais caros têm se mostrado incapazes de atender seus clientes. É que esses planos aceitam mais clientes do que têm capacidade de atender. Entre os numerosos casos de que tenho conhecimento, o mais recente é o de uma amiga que sofreu fratura no pé, foi para uma casa de saúde e lá ficou durante três horas num corredor, gemendo de dor, sem que fosse atendida. A explicação da funcionária do hospital foi que o traumatologista estava atendendo a outro paciente. Já imaginou se mais alguém torce o pé naquele dia?

 

A situação pior é a dos idosos. Como adoecem com frequência, têm que pagar mensalidades altíssimas. Sei do caso de um senhor que, em pouco mais de um ano, teve sua mensalidade aumentada de R$ 1.200 para R$ 1.800. Queixou-se ao corretor, que lhe disse: "Eles estão aumentando exageradamente a mensalidade dos idosos para expulsá-los do plano". Tem lógica: clientes que adoecem com frequência dão pouco lucro ou, pior, dão prejuízo, e os planos de saúde estão aí para obter lucros. O objetivo principal é ganhar dinheiro, claro. O cliente ideal é o que não adoece. O nome do troço é "plano de saúde", não "plano de doença". O capital governa o capitalista e o resto... (Ferreira Gullar, Folha de São Paulo, domingo, 22 de março de 2009)

 

 

Essa nota do meu ponto de vista é a mais curiosa. Ao lê-la, por se tratar de quem se trata - Ferreira Gullar - fiquei achando que para falar da falência do nosso sistema de saúde e do capitalismo tupiniquim ele estivesse usando da ironia. Mas ao ler uma segunda vez fiquei em dúvida. E a dúvida é: ele acha mesmo isso que escreve sobre o capitalismo? É um certo conformismo de quem perdeu, não só a batalha, mas a guerra? Ou será que, com o passar dos anos ele se tornou cínico? Em todo o caso, aceitando que ele se tornou cínico, da escola grega e dos grandes filósofos, vale pensar que isso é possível porque ele tem um Plano de Saúde de fato incomparável e que não está sujeito a esses descasos contados por ele mesmo; ou ganha tão bem que independe de Plano de saúde e vai ao médico, hospital e proto socorro que quiser, a hora que quiser. Porque não é possível diante de assunto tão nefasto agir dessa maneira.

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Veja só como agimos, nós pequenos burgueses afeitos a ter algumas regalias em país de miseráveis e ex-escravocrata. Agora que os Planos de Saúde não estão funcionando, dirá o leitor, o burguesinho começa a escrever sobre a falência do sistema de saúde. Isso é verdade mesmo. Como dizia o velho Marx, para usar o nome do filósofo que citou Gullar, a classe média só se mexe quando a água bate na sua bunda. Mas essa notícia passa a ser mais abrangente. É o desdem, a terra sem lei, a ausência do Estado, etc. e tal que queiram colocar nisso tudo, em que chegamos.O nosso capitalismo é uma coisa impensada para Adam Smith e para qualquer capitalista internacional. Aqui capitalismo é sinônimo de bandidagem. O que está acontecendo com os planos de saúde nem a máfia italiana supos poder ser possível num país com Estado constituído. E o pior é que tem Plano que já faliu e que continua vendendo suas cotas nos seus sites de internet. E cobrando uma fortuna. A vida no Brasil, de fato, não vale porcaria nenhuma. E agora, talvez, seja a oportunidade de a classe média, que ainda consome e em alguns casos tem espaço na mídia, colocar a boca no trombone para tentar mudar toda essa nojeira em que está transformado o país. E quem sabe começar a lutar para que volte a ter, com qualidade, um sistema educacional público, um sistema de saúde público, e que esses bandidos que gerenciam os planos de saúde não fiquem impunes. Pode levar um tempo, mas terá que ser feito. Senão vamos voltar ao tempo em que, mais do que cada um para si, a Lei será salve´se quem puder e otário serão aqueles que querem ser éticos. Ou já chegamos a isso?

 

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Dicas culturais, melhor dizendo, teatrais:

 

"Encruzilhada" - Barracão Teatro, Centro Cultural São Paulo;

" A Curandeira" - Centro Cultural São Paulo. Eu sou o dramaturgista dessa montagem. É bem bacana.

"Quem não sabe mais quem é, o que é e onde está precisa se mexer" - Sede do Grupo São Jorge, perto da Estação Marechal Deodoro na rua Lopes de Oliveria;

"Prego na Testa" -  Sala dos Parlapatões na Praça Roosevelt;

 

"QUERÔ" - de Plínio Marcos, direção do Marco Antonio, no Galpão do Folias, próximo da EStação Santa Cecília do Metrô. Informações:3361.2223

 

    



Escrito por maiafolias às 03h07 PM
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Da dificuldade de se ser otimista

Essa semana fiquei pensando que, talvez, devesse escrever alguma coisa otimista. Algumas palavras que elevassem a atuo-estima dos leitores e a minha própria. Um abandono do Martinho e uma vitória parcial de Panglos, mas confesso que é difícil nesses tempos quaresmais onde ainda penitenciamos as diabruras realizadas durante os dias de "momo". Ou seja, nos últimos anos no Brasil, a quarta-feira de cinza, entenderam porque escolhi esse dia pra ser o dia da "Matraca Cultural" e porque ela se chama "Matraca", etc. e tal?, deveria se estender pelo ano todo. Bem, se fossemos nos penitenciar das diabruras momescas teríamos que passar todo o tempo em "vigilia quaresmal", tais as "atividades de momo" que temos assistido ultimamente. Mas quando soube da visita num final de semana do Lula ao Obama, acreditei que seria uma oportunidade de que essa "quaresma" fosse recompensada por algo inusitado e "mágico" propiciado pelo encontro do operário e do negro, ambos realizando o sonho de serem Presidentes dos seus países, tal qual esses programas de televisão tipo "Rainha" por um dia.

Bem, o cenário que imaginei, na minha inocência, era do Obama e do Lula, ao lado de uma churrasqueira, com alguns pagodeiros americanos e outros tantos brasileiros, entre eles poderia estar o Zeca Pagodinho e cantando: "Só ponho/Be bop no meu samba/ se o tio sam pegar no tamborim..." E entre um copo de cerveja e outro, entre um hamburguer e outro (porque americano só faz churrasco de Hamburguer) os dois começassem a equacionar os problemas do mundo e, consequentemente, dos Estados Unidos e do Brasil, tendo como centro das soluções o Homem e não o Capital Financeiro, as montadoras de carro, as grandes industrias, etc. e tal. Ou seja, pela primeira vez na história recente do mundo, dois Presidentes responsaveis por uma massa humana considerável, que são seus governados, deixariam de lado os interesses privados e traçariam uma "plano Marshal" tipo salvando o ser humano. E veja, tudo isso durante um churrascão de confraternização. Por exemplo: a Hilari poderia aprender uns passinhos de samba com a Dilma; o Celso Amorim poderia falar com o Biden sobre anedotas de Portuquês e ele de Irlandes; o Minc, que convenhamos é um "pé no saco", trocaria umas idéias com o Al Gore sobre as árvores e plantas amazonicas e no fim da conversa poderiam abraçar uma árvore juntos; o Mantega poderia conversar com seu equivalente americano ( que não sei o nome de cor) sobre a implantação de uma loteria continental para dar casas para os sem tetos de toda a América; o Tarso Genro poderia dar umas idéias para o Secretário de Justiça americano sobre como parar com essa sacanagem com os Cubanos e parar de torrar o saco do Fidel e de todos os Cubanos da ilha. E assim, nos gramados da Casa Branca, com a dona Marisa e a dona Michele trocando receitas de comidas e de como aguentar o mau humor de seus esposos depois de um dia enfrentado o Capital Internacional, veríamos surgir um "Novo Mundo".

Vocês vão me dizer que acordei com sindrome de "Mágico de Oz". Tudo bem, mas porque a gente não pode uma vez na vida imaginar o inusitado? E porque a gente não pode crer que um dia, governantes de origem humilde não possam assumir a ideologia de sua origem social e não daqueles que os empregaram, os exploraram e os fizeram crer que estar no mundo já era um grande milagre do deus Capital e Mercado? Ora, com essa falta de horizonte (vou empregar o termo do Professor Paulo Arantes, porque achei chique e porque dá um enquadramento ficcional bacana) até é possível que isso venha a acontecer. É certo que não vai ser hoje ou amanhã, mas quem sabe um dia? Vocês já imaginaram se o Serra ganha a eleição de 2010 e numa profunda crise de consciência ( vocês não esqueceram que o Serra é filho de um trabalhador honesto do Mercado Municipal de São Paulo, esqueceram?)  resolve governar para o pessoal da Móoca, quero dizer, para o trabalhador honesto e não para a "elite branca", como gosta de dizer o nosso grande Claúdio Lembo. Ou melhor, já pensaram se um grande industrial, tipo José de alencar, ganha as eleições de 2010 e resolve assumir seu lado proletário? Eu sei que o normal é o contrário, o operário assumir a ideologia do Industrial e do Capitalista, mas convenhamos, se Deus existe, pode ser, pode ser que um dia venha a se dar o contrário. Por exemplo: quem diz que o Edir Macedo não possa acordar uma manhã convencido de que é Jesus e fidel a Deus? 

Esse cenários são improvaveis, eu sei. Mas quem diria que seria provavel que um operário seria eleito Presidente da República no Brasil? E mais, quem diria que depois de eleito começaria a pensar como seus antigos patrões, isto é, a favor do Capital? Quem diria há dez anos atrás que a Venezuela teria um Presidente do tipo Hugo Chavez e que esse tentaria realizar a revolução bolivariana sem pegar em armas? E que a Bolivia ia ter um Presidente índio? E que esse iria fazer uma constituição dando voz e direitos a seus semelhantes, coisa impensada desde o século XVI? Se os colonizadores tivessem tido essa antevisão, talvez, eles tivessem eliminados todos os índios lá atrás quando do processo colonizador. Mas não tiveram e ai está Evo Morales criando essa confusão, sádia, para os nossos "senhores cultos e poderosos de outrora". Bem, tudo isso não aconteceria se a Massa, o povão, não fizesse alguma coisa. Isso é, toda grande tragédia, para ser uma tragédia, necessita de um Coro ativo e altivo. Necessita de um corifeu capaz de ser porta-voz das reivindicações básicas do Coro. E como todo processo criativo no teatro, para acontecer, só necessitamos de realizar alguns ensaios, para que todos saibam a função que terá que desempenhar na encenação final.

Essas coisas não acontecem porque a gente deixou de ensaiar. Todos nós fomos transformados em "espiões" da vida, como dizia Mário de Andrade. Não sabemos mais ser protagonistas de nossa história, só sabemos é assistir ela passando diante de nossos olhos e vidas como se estivessemos diante de uma tela plana de 42 polegadas. Em plena sociedade do espetáculo as classes excluídas abriram mão de serem parte ativa do grande espetáculo, preferiram se transformar em meros espectadores. Ou seja, abriram mão de serem cidadãos convencidos que era melhor serem apenas consumidores. Consumidores de imagens, de suas míseras vidas, da história que escrevem para eles uma minoria, enfim, abriram mão da vida em prol de uma "imagem da vida". Querem uma confirmação dessa tragédia? Hoje em dia está muito difícil de ser fazer teatro. E entre outros motivos, porque o consumidor teatral não quer refletir sobre a sua vida e a sociedade onde vive. Como elemento passivo diante da vida, ele quer apenas consumir algumas "imagens" que, aparentemente, são a "vida", mas que o satisfaz e não lhe traz problemas para continuar na sua letargia social. Assim,ele também age diante da realidade. Sabe da corrupção, mas pensa: todos são corruptos (isso inclui ele, claro) então, porque vou perder tempo com isso? O meu patrão está me roubando, mas porque vou reagir se todos os "patrões irão me roubar"? O mundo é assim mesmo, quem pode pode, quem não pode se sacode!

E, conformado com essa pasmeira em que vivemos, não temos mais capacidade de imaginar cenários que seja pura "Utopia". Até as obras de ficção se tornaram obras de fricção. Isto é, elas apenas repetem os "refrões" que lhe impõem os seus patrocinadores. É muito chata essa coisa da literatura, da música, da dança, etc. e tal, ser essa ladainha desesperada do "nada". Se a gente abre o guia de espetáculo, toda semana está estreando alguma obra, de qualquer linguagem que for artística, falando de probleminhas menores, como se não houvessem grandes discussões a serem realizadas sobre o mundo e o Homem. A Política, por outro lado, se transformou nesse repetir acusatório sem maiores consequências. Todo mundo acusa, mas ninguém apura. E as grandes questões não são discutidas. Agora não se fala outra coisa além das eleições de 2010, apesar de todos os candidatos dizerem que ainda é cedo para se discutir o assunto. E no entanto, mesmo sendo cedo, quem está em campanha, não tem nada a propor a não ser mostrar a "folha corrida" do adversário que, em última instância, é igual ao do acusador, já que como está provado, pelas últimas matérias jornalísticas, não se salva ninguém nessa floresta de imoralidades.

E nós, eleitores comuns, aspirantes a cidadãos, ficamos a merce de tudo. Outro dia, por necessidade pessoal, fiz uma pesquisa sobre planos de saúde e me deparei com a seguinte situação: a maioria dos planos que existem estão em situação falimentar ou pré falimentar. Ou seja, todos pagam uma coisa que, quando se precisar não vai ter e ninguém toma uma providência. Mas se um assegurado ficar alguns dias atrasado vai ser punido e, talvez, perder o direito ao tratamento. Mas as seguradoras de saúde parece nada acontecer. E o que faz a Agência Nacional de Saúde, informa no seu site a situação catastrófica da saúde nacional. Mas quem vai chamar a polícia e tomar uma providência? E assim, com diferentes áreas da administração pública e com os negócios privados. É um tal de "salve-se quem puder"! Por isso, por não se ter o que perder, é que deveríamos começar a bolar, imaginar e colocar em prática cenários mais "utópicos" do que esses cenários realistas que temos feito para as nossas vidas. Como diria Martinho- "fodido por fodido, truco!" É essa coragem que tem faltado às grandes massas para redimensionarem suas vidas. Levarem a sério a situação em que se encontram e entenderem que, se não tomarem nenhuma providência, tudo continuará como sempre no "Quartel de Abrantes!".    

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 Falando em Quaresma, uma época de interiorização, conforme prega a Igreja Católica, também deveria ser uma época em que se aproveitasse para se realizar autocríticas em geral. Poderiam ser até públicas, uma inovação, por exemplo, para o mundo político. Uma espécie de auto-crítica aos eleitores sobre a atuação política nos legislativo e no executivo. Nestes termos, os próprios padres, bispos, arcebispos, cardeais, etc. e tal, poderiam fazer seus atos de contrição para reverem seus atos. Por exemplo o bispo de Recife com sua excomunhão dos médicos e da menina que foi violentada pelo próprio pai e engravidou. Por sinal vou públicar um cordel sobre o assunto: 

  

A EXCOMUNHÃO DA VÍTIMA

   ( ZÉ  PIABA)   

              
I
Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria,
Inteligência e razão,
Peço que Deus que me proteja
Para falar de uma igreja
Que comete aberração.

II
Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição,
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,
Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão.

III
Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade
A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,
Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.

IV
Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor.

V
O aborto, já previsto
Na nossa legislação,
Teve o apoio declarado
Do ministro Temporão,
Que é médico bom e zeloso,
E mostrou ser corajoso
Ao enfrentar a questão.

VI
Além de excomungar
O ministro Temporão,
Dom José excomungou
Da menina, sem razão,
A mãe, a vó e a tia
E se brincar puniria
Até a quarta geração.

VII
É esquisito que a igreja,
Que tanto prega o perdão,
Resolva excomungar médicos
Que cumpriram sua missão
E num beco sem saída
Livraram uma pobre vida
Do fel da desilusão.

VIII
Mas o mundo está virado
E cheio de desatinos:
Missa virou presepada,
Tem dança até do pepino,
Padre que usa bermuda,
Deixando mulher buchuda
E bolindo com os meninos.

IX
Milhões morrendo de Aids:
É grande a devastação,
Mas a igreja acha bom
Furunfar sem proteção
E o padre prega na missa
Que camisinha na lingüiça
É uma coisa do Cão.

X
E esta quem me contou
Foi Lima do Camarão:
Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina
E o ministro Temporão,
Mas para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
A vaga de sacristão.  

 

 
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DICA ARTÍSTICA PARA OS LEITORES: 'QUERÔ" EM CARTAZ NO GALPÃO DO FOLIAS, DE QUINTA A DOMINGO. MAIORES INFORMAÇÕES TELEFONE:33612223.

 

 




Escrito por maiafolias às 04h17 PM
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A Elite, o Público e o Privado - Olha a direita ai gente!

Deu no "Estado de São Paulo"no dia 05 de março de 2009, em matéria feita por Roberta Pennafort, do Rio de Janeiro: "A criação de uma comissão julgadora para escolher peças a serem encenadas nos teatros da Prefeitura do Rio vem provocando grande discussão entre a classe artística e a nova Secretária de Cultura do Rio de Janeiro, Jandira Freghali. De um lado, os artistas (Soraya Ravenle, Domingos de Oliveira, Barbara Heliodora, Cláudio Boltelho, esses são os artistas cariocas citados e que para o jornalista representa os artistas do Rio no seu todo) bradam que a iniciativa vai burocratizar o processo de produção. E mais: ideologizá-lo, criando um ambiente propício à censura. Já Jandira (olha a intimidade do jornalista com a Secretaria de Cultura, parece exemplo do "homem cordial do Sérgio Buarque de Hollanda) sutenta que se trata de uma forma de democratizar o acesso dos proponentes aos teatros, além de permitir que a secretaria tenha uma visão global da rede, o que permitirá sua ocupação de modo mais eficiente." 

Vamos tentar analisar o que está em jogo nesta questão ou melhor,como gosta o jornalismo "imparcial" , nessa polêmica. O que está em jogo é a velha discussão do que é Privado e do que é Público. Vale lembrar o leitor deste blog que o Prefeito eleito não é nenhm radical, ao contrário, é político a saltar de galho partidário em galho partidário até encontrar o mais conveniente aos seus interesses. Nesse sentido nada tenho para defendê-lo, o que me interessa mesmo é discutir a elite e seus privilégios e os interesses do Estado. Outra coisa a lembrar aos nosso queridos leitores é que um dos Secretários que antecederam a Jandira (veja só que intimidade) foi nada menos nada mais do que o Miguel Falabella, que é quem deve ter colocado os atuais diretores dos teatros municipais. Uma outra Secretaria citada - Helena Severo - é a companheira do ex-ministro da cultura Francisco Weffort, estão lembrados da contribuição que esse senhor deu para a cultura nacional quando era ministro da cultura? É o mesmo que lançou dezenas de livros em parceria com outro grande homem da cultura do PSDB - Márcio de Souza - ex-presidente da FUNARTE. Ou seja, é claro que quando é nomeada uma militante do PC do B, e isto tem que ficar claro para todos, é o primeiro sintoma do pré-conceito de qualquer atitude que a Secretaria vier a tomar, a dita classe artística, que diria o camarada Maurício Tratemberg - "não é classe porque ninguém lhe compra a força de trabalho, exceto aqueles que a vende para as redes televisivas"- coloca a boca no trombone. E nesse sentido a matéria do Estado, que é a favor das políticas de privatização do tucanato, por exemplo, tanto que não fala nada contra a Secretaria do Estado de São Paulo da Cultura estar sendo entregue nas mãos de "OS's" (Organizações Sociais), vai entrevistar aqueles que se beneficiaram das políticas contrárias a da Secretaria Jandira, isto é, das políticas liberais e mercadológicas que a antecederam.     

E o que mais revolta os ditos "artistas cariocas"? O fato de que a Secretaria disse que para distribuir os teatros e realizar as suas programações fará uso de um instrumento democrático que possibilita o acesso a todos os interessados, que é público e tem regras, que é o lançamento de editais e da formação de comissões que julga os contemplados ou não. Ou seja, o corte "ideológico", que a grande intelectual carioca acusa a Secretaria, a Barbara Ninguém Te Adora, é de fazer com que a coisa pública seja pública. Ela está sendo acusada de ter aberto mão da possibilidade de premiar seus apaniguados, aqueles do seu clubinho, de exercer seu nepotismo, para criar uma comissão que julgará os pedidos de ocupação dos teatros municipais. O grande crime da Secretaria Jandira Freghali é ir contra um princípio do liberalismo e da ideologia das elites que dominam a séculos este país e o aparelho de Estado, isto é, de acreditar que a coisa pública deva ser pública. O interessante que essas mesmas pessoas que estão condenando a Secretaria, devem ser os mesmo que gostam de falar em corrupção, em uso da máquina do Estado, que concordam com as opiniões do Juiz Gilmar Mendes, mas que no entando como o juiz gostam de serem privilegiados em se tratando de seus interesses. O que está em discussão são os privilégios da eterna minoria que acha que pode tudo. E isso no Rio de Janeiro deve se restringir aqueles "artistas" que trabalham para a Globo ou frequntam com assiduidade seus corredores.

O que é mais ilustrativo dessa apropriação do público, daquilo que deveria ser de todos por alguns, são os argumentos usados pelos opositores, que acabam compondo uma pela peça de humor negro. Vejamos por exemplo a declaração da dona Barbara Heliodora: "Ela publicou um artigo em que diz acreditar que as novas medidas visam ao "controle ideológico de toda a atividade artística e cultural", tal qual na União Soviética (esqueceram de avisar a essa velha senhora que a União Sovietíca não existe mais, nem a Guerra Fria, a Russia agora é liberal como o Brasil) e na China comunistas. A ingerência do Estado na criação artística e em qualqer atividade cultural é fatal: seu único objetivo é alimentar o público com chavões ideológicos e cortar qualquer possibilidade de obras imaginativas e/ou realmente reflexivas", escreveu."

Como diria Jack,o estripador, vamos por parte e com muita calma nesse andor de barro da dona Barbara. A primeira coisa é sobre o controle ideológico da atividade artística e cultural. Interessante, nunca li nada, nem ouvi uma entrevista em que essa senhora acusasse que entregar a cultura a Lei de Incentivo a Cultura - Lei Rouanet - que depende de um diretor de marketing para captar o recurso que foi autorizado, era entregar a cultura ao controle ideolóico do Capital. Qual a diferença, pergunataria à velha senhora? A diferença querida é que, no poder público todos nós temos a oportunidade de em quatro em quatro anos mudar o controle "ideológico" do aparelho de Estado, quando se tratra do Capital, vide a crise internacional financeira, ninguém regula nada, quando o Estado é chamado a intervir é apenas para pagar a conta. Ou seja, a dona Barbara, admite e cultua a censura praticada pelo Capital, mas lhe cria repulsa uma atitude do Estado que visa apenas, já que a Secretaria não vai determinar o que será produzido, que as produções tenham que se inscrever em um edital. O pior disso tudo, e sempre é possível ficar pior, é que a Secretaria recua e tenta contemporizar com seus opositores, isto é, lhes dá argumentos e ares de "verdade" a uma posição ideológica e política de direita contra a sua atitude na Secretaria. Ora, parece-me que no processo democrático burguês, esse que vivemos de quatro em quatro anod, quem ganha a eleição nas urnas é para governar. E quando se é eleito o eleitor conhece o programa do candidato, se não conhece votou sem exercer a sua "liberdade" (liberdade no sistema burguês é você brincar que vota livremente). Ora, quando os liberais, através do gênio Cesar Maia, estava no poder, eles brincaram com o Miguel Falabella, com os domingos de Oliveria, com os Cláudios Botelhos, esses gênios da criatividade nacional favorecendo seus projetos. Isso, por acaso não foi e é dirigismo cultural, intervenção do Estado, etc. e tal?

O segundo ponto que chama a atenção na argumentação da dona Barbara Ninguém Lhe Adora, é sobre a "ingerência do Estado na criação artística é fatal(...)" Vamos ver sobre um outro prisma que aqui em São Pauo é muito caro para a criação artística. A ingerência do SESC/SP na atividade cultural de modo geral. Eu nuna li, ouvi ou presenciei uma Barbara qualquer dizendo que os programadores dos SESC's de São Paulo são pequenos aprendizes de Stalin, quando, sem consultar ninguém, sem serem votados para isso, sem formar comissões, escolhem ao seu bel prazer quem vai se apresentar ou não, que vai ser financiado ou não, e o que eles fazem é pago com dinheiro público, dos impostos, ou com o que capta da lei Rouanet. Nesse caso não é ingerencia? Ou esses senhores acreditam que aqueles que trabalham para a ideologia do Capital são mais criativos do que aqueles que não rezam nessa cartilha? Quando o senhor Miguel Falabela deu os teatros cariocas àqueles que bem quis isso foi democrático, não foi ingerência do Estado "fatal para a criação artística?" Ou tudo é fruto de soberba, estilo Domingos de Oliveira - "Eu tenho mais condições de falar de teatro do que qualquer comissão da prefeitura." Porque? Quem lhe deu essa autoridade? Será que ele é um semideus e nós não sabemos? Será que conquistou esse direito por suas obras? Mas que obras são essas? Ele é, por acaso, algum Shaquespeare da Tijuca? Ou apenas porque ele faz parte da elite cultural carioca, com aproximação com os poderosos globais, etc. e tal? Nota - o seu Domingos Oliveria é um beneficiário dos poder público carioca, usa teatro público. Se é tão competente, porque não se estabeleceu independentemente? E o que diz o seu Claúdio Botelho,  e esse é bem honesto deixa claro seu posicionamento ideologico: "Teatro é lugar de artista (ele é um adaptador dos musicais americanos) e não de burocrata. (...) Eu não acreito em pensamentos de grupo, e sim individuais." Ou seja, em se tratando de ideologia nada mais claro que isso. Então, tem razão a elite branca carioca, o que está se dando no Rio de Janeiro, e sem maior significado para a democratização da cultura, é uma coisa besta, mas que faz a direita reagir como se a propriedade estivesse ameaçada, ao contrário da "esquerda" que fica com aquela cara de "perdidos na noite". A secretaria Jandira está apenas fechando o "guichê" dos amigos. Ou como diria Machado de Assis, profundo conhecedor das coisas cariocas: está sendo fechada uma porta da político do QI ( Quem Indica).

Mas, meus leitores, não pensem que isso só esta a acontecer no Rio de Janeiro e contra a Jandira Freghali. Se tem uma coisa que anda tão rápido como virus de gripe é a política de direita. Já tem gente dizendo que o mecanismo do edital, da convocação púbica de fato não é um instrumento democrático e está pensando em levar essa prática política para as áreas federais. Claro, como dizia um Secretário de Cultura do Mário Covas, alegando o porque ele não fazer editais: "Quantos projetos se inscrevem em um dedital? Cem, duzentos e quantos eu posso contemplar, trinta, quarenta? Então, veja só, se dou quarenta e se inscreveram duzentos vou ter cento e sessenta contra a minha gestão. É melhor eu dar logo para um amigo e pronto!" Esse raciocínio, em que a coisa pública é apenas um balcão de negócios dos interesses particulares do ocupante  da pasta, é uma tradição no Brasil que vem dos tempos coloniais. E que até hoje ainda tem seus adeptos e praticantes, inclusive, entre aqueles que se dizem de esquerda. Tenho afirmado aqui nesse blog que esse avanço da direita é em todas as áreas e direções e que é necessário a sociedade reagir.

Querem alguns outros exemplos recentes.  A eleição do Collor para Presidir a comissão de Infra-Estrutura e que foi patrocinada pelo lider do PMDB no Senado -Renan Calheiros - que é amiguinho do Lula, que nada fez para que essa camarilha não tomasse conta do congresso Nacional, dominado agora pelo Senador José Sarney (amigo de Lula e agora do Collor que o chamava de corrupto) e da Camara Federal por Michal Temer. Fora isso, pensem nas delcarações do "impoluto" Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal. A reação da imprensa e da elite branca no caso Batistini. O editorial da Folha de São Paulo chamando a nossa ditadura de "ditabranda" e acusando aqueles que discordarem de fazerem "comércio com a sua perseguição politica". A repentina "radicalização" de instituições como a PENSARTE, que agora bate no Ministro da Cultura como se fossem militantes do Chavismo bolivariano (lógico que isso reflete a perda de alguns privilégios). A crise da Lei de fomento da dança em São Paulo. O sumiço dos parlamentares de "esquerda" das ações na área da cultura? O recuo da Petrobras nos convênios com as instituições federais, que para distribuir suas verbas criaram editais públicos e de acesso universal? O teatrinho sem importância que a maioria de nós tem feito para estreiar em qualquer biboca. A falta de reação dos artistas, que não se locupretaram nas políticas liberais, contra esses desmandos todos. Por exemplo, no Rio de Janeiro, o movimento de Teatro de rua, o Redemoinho está contra a política da dona Jandira e a favor da dona Barbara Heliodora? Os assassinos da Doroty, de Belem do Pará, que estão soltos depois de condenados. O senhor Gilmar Mendes dando liminar para o senhor Daniel Dantas e falando em seriedade e dignidade ao Presidente da República. O medo de todos nós de vir a público e mostrar a sua indignação. Nuvens negras estão no horizonte...

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ainda há espaço para a sua indignação! ocupe-o ou cale para sempre!        



Escrito por maiafolias às 07h56 PM
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A Direita Está Mostrando a Sua Cara

"Mas, se as chamadas "ditabrandas" -caso do Brasil entre 1964 e 1985- partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça-, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os controles democráticos por dentro, paulatinamente." (Editorial da Folha de São Paulo de 17/02/09)

O editorial da Folha deixa claro a quem quer ver como a nossa direita está insatisfeita com os caminhos da política na América Latina e, particularmente, no Brasil. O editorial acima, com a nota sobre a dirtadura brasileira, quer mostrar ao leitor a sua visão da história do Brasil e, ao mesmo tempo, demonstrar seu saudosismo da época em que os Militares comandaram esse país e impuseram um regime arbitrário, violento e injusto, que até hoje tem consequência para toda a nação e para os brasileriros. Não devemos esquecer que as eleições para 2010 já teve início com o lançamento da candidatura da Dilma pelo Presidente Lula. Vendo uma perspectiva sombria para os interesses do Capital, a imprensa burguesa e facista, como deixa claro o editorial, começa a se mobilizar para criar um clima desfavorável a manifestação da vontade popular. Hugo Chavez só é um mote que eles pegaram, como pode ser o Evo Morales, o Rafael Correa, qualquer um que bateu de frente com os interesses liberais na América Latina e colocou em risco os privilégios excessivos do Capital. Não devemos esquecer que a Folha gosta de posar de orgão "muderno e democrático", praticando um jornalismo imparcial e a favor da liberdade de expressão. Quando lhe é conveniente ela posa de defensora das liberdades, quando não relembra os tempos de chumbo da ditadura, quando, talvez, tenha tido uma vida feliz e cheia de privilégios. Abaixo publico o Manifesto dos intelectuais contra o editorial e o ataque feito a dois pensadores brasileiros que se manifestaram, por carta, contra a barbaridade jornalística em questão, mas vale frisar que o Manifesto ainda é brando e cheio de pudores para ser contra algo nefasto a vida política, cultural e social do Brasil.

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REPÚDIO E SOLIDARIEDADE

"Ante a viva lembrança da dura e permanente violência desencadeada pelo regime militar de 1964, os abaixo-assinados manifestam seu mais firme e veemente repúdio à arbitrária e inverídica “revisão histórica” contida no editorial da Folha de S. Paulo do dia 17 de fevereiro último. Ao denominar “ditabranda” o regime político vigente no Brasil de 1964 a 1985, a direção editorial do jornal insulta e avilta a memória dos muitos brasileiros e brasileiras que lutaram pela redemocratização do país.

Perseguições, prisões iníquas, torturas, assassinatos, suicídios forjados e execuções sumárias foram crimes corriqueiramente praticados pela ditadura militar no período mais longo e sombrio da história política brasileira. O estelionato semântico manifesto pelo neologismo “ditabranda” é, a rigor, uma fraudulenta revisão histórica forjada por uma minoria que se beneficiou da suspensão das liberdades e direitos democráticos no pós-1964.

Repudiamos, de forma igualmente firme e contundente, a “Nota de redação”, publicada pelo jornal em 20 de fevereiro (p. 3) em resposta às cartas enviadas à seção “Painel do Leitor” pelos professores Maria Victoria de Mesquita Benevides e Fábio Konder Comparato. Sem razões ou argumentos, a Folha de S. Paulo perpetrou ataques ignominiosos, arbitrários e irresponsáveis à atuação desses dois combativos acadêmicos e intelectuais brasileiros. Assim, vimos manifestar-lhes nosso irrestrito apoio e solidariedade ante às insólitas críticas pessoais e políticas contidas na infamante nota da direção editorial do jornal.

Pela luta pertinaz e consequente em defesa dos direitos humanos, Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato merecem o reconhecimento e o respeito de todo o povo brasileiro"

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 Ditadura
"Golpe de Estado dado por militares derrubando um governo eleito democraticamente, cassação de representantes eleitos pelo povo, fechamento do Congresso, cancelamento de eleições, cassação e exílio de professores universitários, suspensão do instituto do habeas corpus, tortura e morte de dezenas, quiçá de centenas, de opositores que não se opunham ao regime pelas armas (Vladimir Herzog, Manuel Fiel Filho, por exemplo) e tantos outros muitos desmandos e violações do Estado de Direito.
Li no editorial da Folha de hoje que isso consta entre "as chamadas ditabrandas -caso do Brasil entre 1964 e 1985" (sic). Termo este que jamais havia visto ser usado.
A partir de que ponto uma "ditabranda", um neologismo detestável e inverídico, vira o que de fato é? Quantos mortos, quantos desaparecidos e quantos expatriados são necessários para uma "ditabranda" ser chamada de ditadura? O que acontece com este jornal?
É a "novilíngua"?
Lamentável, mas profundamente lamentável mesmo, especialmente para quem viveu e enterrou seus mortos naqueles anos de chumbo.
É um tapa na cara da história da nação e uma vergonha para este diário."
SERGIO PINHEIRO LOPES (São Paulo, SP)

Nota da Redação - Na comparação com outros regimes instalados na região no período, a ditadura brasileira apresentou níveis baixos de violência política e institucional.

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Prestaram atenção a Nota da Redação colocada na carta do leitor publicada acima? Creio que é para não deixar dúvidas da opção política do jornalismo praticado pela Folha de São Paulo. O mínimo que poderia ser feito pelos intelectuais desse país é não aceitar mais publicarem seus artigos e ou entrevistas nesse jornalzinho. Parece uma posição radical, mas se não formos radicais agora nada nos adiantará sermos quando tivermos pela frente, estruturada e no poder, essas forças políticas autoritárias e que detêm o Capital no Brasil. Estão sinalizando que não se conformam em ver outro resultado eleitoral que venhas a contestar seus mandos e desmandos. Quem quer ver que veja, mas não é outra coisa o que um editorial como esse esta a assinalar. Ou as posições políticas expressas pelo Ministro do Supremo, o senhor Gilmar Mendes, que, conforme a matéria de conhecida revista semanal, não tem nenhuma condição de ser um moralista, um justiceiro, com tudo que tem de rabo preso na história, está a dizer? Mas ele tem deixado claro as suas posições políticas, como por exemplo, contra a movimentação do MST. E que resposta está dando a sociedade a esses disparates verborrágicos que se tornarão, com passar do tempo, sem sofrer reação, ações de desmandos novamente?

O próprio governo não tem se manifestado contra essas atitudes de acinte e de enfrentamento político. Onde está o Ministério da Justiça que não pede explicações para a Folha sobre a tal das "ditabrandas"? Ou o governo concorda que a ditadura militar no país foi algo suave e sem muita consequência para a nação? Onde estão os Partidos Políticos ( se é que ainda há algum) que não se manifestam contra uma atitude como essa, estão todos pensando nas urnas em 2010? Acreditam que por acaso, enfrentando a Folha agora ela não dará cobertura a eles nas eleições vindouras e se ficarem calados ela dará? Serão tão inocentes assim? E os políticos? Onde andam numa hora dessas? Será que todos são concordes com a opinião do Jornal? E a CUT, será que não tem nada a dizer?

E aqui cabe um grande parenteses. E a nossa cultura a quantas anda? É inacreditável como está sem reação as criações culturais nas diferentes linguagens artísticas.Preocupadas com a própria sobrevivência, os fazedores/criadores culturais estão quietos e conformados com os caminhos que toma a vida política nacional. Quando se pega um Guia de final de semana, com as progamações, é de causar perplexidade o que se está montando e estreando em São Paulo. Quem vê de fora, pensa que tudo anda as mil maravilhas, que não acontece nada abaixo do Equador. Numa luta de boxe, quando isso acontece, se diz que o lutador está meio grogue e se não tomar cuidado toma outro soco do adversário e ai cai nocauteado. Mas se o gongo soar é capaz que venha a reagir. Fico pensando, será que estamos necessitando do gongo pra poder esboçar uma reação do mundo cultural com tudo que está acontecendo? Ou já estamos nocauteados e prestes a sair da lona? No entanto a diretona, que se locupreta com a Lei Rouanet, vem batendo sem para no Ministro da Cultura, que era um aliado, até ontem. Por falara nisso, onde anda o Ministro da Cultura? Ela ainda está em viagens de consulta pelo Brasil? Ou está preparando sua caidiatura para 2010?

Uma luta tem 12 assaltos quando é uma disputa de título. Espero que não estejamos esperando os últimos assaltos para reagir. Nem sempre essa tática dá certo. E para a reação ter a adesão da sociedade será necessário que não cheire golpe eleitoral. Isso já deu no saco da população. Por isso, aviso aos políticos, se for para esboçar uma reação que não seja verdadeira, apenas jogada de marketing como vocês gostam de fazer, permaneçam omissos. Não é hora para isso. E não devemos deixar que a crise financeira venha a ser, mais uma vez, o juiz supremo do que se deve fazer politicamente. Essa apelação já foi feita na ditadura, coisa que a Folha conhece bem. Não tem nada de esperar o bolo crescer para depois dividir, a hora é agora. Não devemos deixar que nos confundam com alianças políticas e reação política de desmandos e autoritarismos. Aliança não deve significar "baixar a guarda para o inimigo". Isso já vem sendo feito há mais de seis anos.

ainda há espaço para a indignação! agir agora para não ter que reagir amanhã.




Escrito por maiafolias às 07h56 PM
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A Ressaca da Folia Financeira

História do Brasil (marcha/carnaval)

Lamartine Babo Esportista

Composição: Lamartine Babo - 1934

Quem foi que inventou o Brasil?
Foi seu Cabral!
Foi seu Cabral!


No dia vinte e um de abril
Dois meses depois do carnaval

Depois
Ceci amou Peri
Peri beijou Ceci
Ao som...
Ao som do Guarani!

Do Guarani ao guaraná
Surgiu a feijoada
E mais tarde o Paraty

Depois
Ceci virou Iaiá
Peri virou Ioiô

De lá...
Pra cá tudo mudou!
Passou-se o tempo da vovó
Quem manda é a Severa
E o cavalo Mossoró

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Você vai ler essa cronica em plena quarta-feira de cinzas. Muitos vão estar curtindo uma ressaca provocada pelas festas momescas, momento especial da vida social, política e cultural do Brasil. Talvez fossemos outro povo se não tivessemos criado o carnaval. Nos quatros dias de festa, tal como se todos entrassem em um grande teatro do mundo, deixamos de lado nossa personalidade comum, do dia-a-dia e assumimos outra "persona". Assim, pode acontecer de um liberal moralista sair fantasiado de mulher, por um dia da festa, e ninguém se importar com isso ou colocar em discussão a sua virilidade.Mas temos que pensar quem é que criou essa possibilidade "terapêutica" para o povo brasileiro.E ai vamos ver que tudo se iniciou com a população negra, empurrada para os morros cariocas para que se fizesse a reforma urbana de Afonso Pena. Ou seja, os negros, aqueles que para cá vieram forçados pelo Tráfico negreiro. Eles que sofreram mais do que o "pão que o diabo amassou" criaram uma forma de se libertarem, mesmo que temporariamente, de sua opressão com os quatro dias de carnaval. Estou pouco me lichando que, na História, essa festa tenha correlatos na Idade Média e que até o Bakthin a tenha estudado como uma das grandes manifestações populares. Se ele tivesse conhecido o carnaval brasileiro ia ver que nada é comparável a ele.

É certo que, faz alguns anos (desde a globl expropriou a festa do povo), essa festa foi tirada das mãos daqueles que a criaram e transformada em mais um produto cultural, em mais uma mercadoria em oferta na gondola do entretenimento mundial. O que importa é que ainda se encontra no meio dessa comercialização toda, fora das lentes televisivas que recheiam os comerciais que veiculam e lhes rende milhões em reais, brincantes com o mesmo espírito de "ontem". E mesmo aqueles que não brincam, que são carnavalescos de "sofá", de alguma maneira libertam seu "imaginário" e criam fantasias outras. Senão como justificar que há redes televisivas que transmitem os bastidores dos bailes e dos desfiles da avenida? Se não houvesse público para isso elas não transmitiriam.   

 Bem, tudo isso para dizer que a farra financeira é bem diferente da farra momesca. Essa nos deixa saudades, lembranças agradáveis e desagradáveis, mas tudo feito com consciência ou não por nós mesmos. A farra financeira não. Nós só estamos sentindo são as consequências. Não participamos de suas "alegrias e regalias". Para essa farra, alguns gastaram bilhões de dolares e muitos terão que pagar a conta mundo afora sem ter participado do "banquete". Aqui no Brasil, no início de tudo, chegou-se a falar que a crise não passaria de uma "marola" e nada aconteceria demais. Esqueceram os nossos políticos que, diferentemente da folia de momo, onde criamos os cenários de nossa diversão, no mundo globalizado o cenário é criado por outros e vale para todos aqueles que estão no Planeta. Essa é a nova democracia que vivemos.

O fato é que o Presidente já gastou bilhões de reais para não deixar a crise chegar até nós. E mesmo assim, alimentando a burra das transnacionais e dos bancos, eles começaram a despedir seus fundiconários e colocar na rua pais de família, mães, jovens, enfim, o trabalhador. A única área que o Presidente não pensou em salvar, talvez, porque não leia jornal e livros, foi a área da Cultura. Por não ser prioridade do Estado, desde os tempos do Império, não recebeu nem um realzinho e ainda teve cortado seu Orçamento Público. Mas para que servem os artistas senão para serem os bobos da corte ou para pedir voto para político em época de eleição? E o carnaval da política nacional, sem a graça da festa popular de momo, sem a sua criatividade, continua criando suas ressacas e conturbando a vida dos cidadãos.

Como inciei com uma marchinha de carnaval e o que quero mesmo é comemorar o carnaval, mesmo sendo quarta-feria de cinza, vou deixá-los com novas marchinhas. 

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Máscara Negra

Zé Keti Ficando velho

Composição: Zé Kéti e Pereira Matos

Tanto riso, oh quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando pelo amor da Colombina
No meio da multidão

Foi bom te ver outra vez
Tá fazendo um ano
Foi no carnaval que passou
Eu sou aquele pierrô
Que te abraçou
Que te beijou, meu amor
A mesma máscara negra
Que esconde o teu rosto
Eu quero matar a saudade
Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval'

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Favela (Padeirinho/Jorginho) Brincalhão

Numa vasta extensão

Onde não há plantação

Nem ninguém morando lá

Cada um pobre que passa por ali

Só pensa em construir seu lar

E quando o primeiro começa

Os outros, depressa, procuram marcar

Seu pedacinho de terra pra morar

 

E assim a região sofre modificação

Fica sendo chamada de Nova Aquarela

É aí que o lugar então passa a se chamar

Favela.

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Cachaça não é água

Marchinhas de Carnaval

Composição: Indisponível

Você pensa que cachaça é água
Cachaça não é água não
Cachaça vem do alambique
E água vem do ribeirão

Pode me faltar tudo na vida
Arroz, feijão e pão
Pode me faltar manteiga
E tudo mais não faz falta não

Pode me faltar o amor
Isso que acho graça
Só não quero que me falte
A danada da cachaça.

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Linda Morena

Lamartine Babo

Composição: Indisponível

Linda morena, morena
Morena que me faz penar
A lua cheia que tanto brilha
Não brilha tanto quanto o teu olhar

Tu és morena uma ótima pequena
Não há branco que não perca até o juízo
Onde tu passas
Sai às vezes bofetão
Toda gente faz questão
Do teu sorriso

Teu coração é uma espécie de pensão
De pensão familiar à beira-mar
Oh! Moreninha, não alugues tudo não
Deixe ao menos o porão pra eu morar

Por tua causa já se faz revolução
Vai haver transformação na cor da lua
Antigamente a mulata era a rainha
Desta vez, ó moreninha, a taça é tua

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Escrito por maiafolias às 10h36 AM
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A Escravidão Hoje

12/02/2009 - 17h07

ONU alerta sobre negligência na luta global contra tráfico de pessoas

A negligência policial e a recusa de alguns governos a reconhecer a gravidade do drama do tráfico de pessoas solapam a luta global contra um crime em crescimento, do qual se desconhece suas verdadeiras dimensões, alertou hoje o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês).

79% do tráfico de pessoas são para crime sexual

A maioria dos crimes de tráfico de pessoas é ligada à exploração sexual e as mulheres são as principais vítimas, afirma relatório divulgado hoje pelo Escritório sobre Drogas e Crimes das Nações Unidas (UNODC, na sigla em inglês). De acordo com o levantamento da ONU, 79% dos crimes ligados a sequestro são de exploração sexual e a maior parte deles é cometida contra mulheres


O estudo, baseado nos dados fornecidos por 155 países, se considera a primeira avaliação global do fenômeno do tráfico de pessoas e das medidas que foram adotadas para combatê-lo.

"Há negligência em alguns países, e falta de reconhecimento do problema em outros, e inclusive uma negligência maligna em alguns casos. É uma prioridade menor", disse à Agência Efe o diretor da UNODC, o italiano Antonio Maria Costa.

Para ilustrar sua avaliação, Costa comparou os resultados conseguidos na atuação contra o narcotráfico e os da luta contra o tráfico humano.

O UNODC calcula que as Polícias do mundo interceptam entre 10% e 20% da droga traficada, e 46% no caso da cocaína procedente da América Latina.

Por outro lado, o relatório assinala que em 2006 somente foram recuperadas 21.400 vítimas de tráfico de pessoas, o que representa menos de 1% dos dois milhões de seres humanos suspeitos de serem vítima deste crime, acrescentou o funcionário.

"Isto se deve à falta de prioridade e à negligência. Também ao fato de que é um crime que, apesar de ter acompanhado desde sempre a humanidade, não tinha sido regulado internacionalmente até pouco tempo atrás", apontou Costa.

O Protocolo das Nações Unidas contra o Tráfico de Pessoas entrou em vigor em 2003, mas ainda muitos países não adaptaram suas legislações a esta norma internacional.

O UNODC também adverte no relatório de 292 páginas que o número de penas em casos de tráfico de pessoas aumentou em alguns países, mas na maioria dificilmente se supera a 1,5 pena por cada 100.000 habitantes, o que é uma média abaixo inclusive dos delitos menos frequentes.

Em dois de cada cinco dos países analisados pela UNODC, não foi registrada nenhuma condenação nesta matéria apesar de haver uma maior consciência na opinião pública sobre a gravidade deste fenômeno.

Na América Latina, o Brasil é um dos exemplos de países com baixos índices de penas, pois aqui a soma de casos de tráfico humano investigados pela Polícia Federal entre 2003 e 2006 é de 32, segundo o documento.

Isso apesar de que nos campos do país - assim como nos dos outros mais extensos da região, como Argentina e México - vários imigrantes de nações vizinhas trabalhem em condições de quase escravidão, de acordo com o UNODC.

O relatório revela que 79% dos casos de tráfico de pessoas estão relacionados com a exploração sexual, que na maioria das vezes envolvem mulheres e meninas.

Surpreendentemente, em 30% dos países que identificam o gênero dos traficantes em suas estatísticas, a maioria deles são mulheres, ressalta o relatório.

No entanto, seus autores advertem que estes números poderiam ser uma "miragem", porque há menos dados sobre outras formas de escravidão ou semiescravidão às quais as pessoas traficadas são submetidas, como no trabalho em minas, nas fábricas ou como empregados domésticos.

Estes tipos de exploração são muito mais difíceis de detectar que a prostituição, por isso que seu verdadeiro alcance é muito complicado de quantificar, dizem.

Costa afirmou que seu escritório está em processo de elaboração de um código de conduta para o setor privado, através do qual as empresas podem se assegurar de que suas cadeias de provedores não está manchada pelo tráfico de mão-de-obra.

As crianças são a maioria das vítimas deste delito em algumas regiões de África e Ásia, nas quais os menores são uma mão-de-obra usada para mendigar, cozinhar ou colher cacau.

O relatório desmente a percepção de que o tráfico humano implica em mudanças de grandes distâncias, quando na realidade é um fenômeno que acontece "perto de casa".

"As estatísticas demonstram que a maioria do tráfico é doméstico ou inter-regional", diz o texto.

Por outro lado, a Europa é o destino ao qual as vítimas chegam de lugares mais distantes, enquanto que a Ásia é a origem de quem se desloca dos lugares mais variados.

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A questão do tráfico humano a cada dia que passa ganha dimensões insuspeitas de ainda acontecer em pleno Século XXI. E não se trata apenas, como diz o relatório da ONU, de tráfico para a prostituição. Há o tráfico de crianças e a "acusação" sempre velada que é para a retirada de orgãos para transplante. Há ainda, e no Brasil os casos são graves e em grande quantidade em algumas regiões do país, de tráfico para trabalho escravo. O que é importante se discutir é que essas vítimas ficam ao léo. Primeiro, porque a imprensa com raras exceções dá notícia sobre o assunto, a não ser o caso das brasileiras que são pegas tentando entrar na Comunidade Européia e são acusadas de prostitutas. Mas, por exemplo, a mesma imprensa não notícia, com a mesma ênfase, o turismo sexual que é fomentado na Europa para os civilizados europeus virem fazer no Brasil, principalmente, no nordeste, onde meninas de 11, 12 anos são "acompanhantes sexuais" de sisudos "moralistas europeus" em férias.

Na questão da escravatura, já dizia Ruy Barbosa, o importatne a ser combatido é o Tráfico, ele é o grande responsável pela existência e pela continuação do problema. Parece redundância mais não é. A abolição no Brasil só aconteceu depois do combate real do tráfico. Antes disso, a Lei do Ventre Livre, do Sexagenário, etc. e tal, foi tudo história para o boi dormir, porque por trás de tudo continuava o comércio dos seres humanos. E esse é o grande mal do tráfico, seja ele qual for: o ser humano é tratado como mercadoria, como coisa. Apesar de que, em muitas condições de trabalho assalariado, apesar do nome, o que temos é o trabalho escravo. Vide o que pagam algumas empresas, em volta do mundo, para a sua mão de obra. É brincadeira o salário de um Chinês em algumas indústria ocidentais que para se transferiram. Isto é, hoje o tráfico necessáriamente não éfeito dos "escravos". Tem indústria que tem preferido deslocar-se para o país onde encontrará grande quantidade de mão de obra para explorar em termos de "trabalho escravo".

O tráfico de pessoas, que deveria nos horrorizar, é muitas vezes desconhecido e/ou visto sem indignação por nós. E no entanto, querendo ser um "bicho racional" deveríamos ficar envergonhados a pertencer a essa espécie. Por sinal, quando Darwin passou pelo Brasil o que mais o horrorizou foi a escravidão e o tratamento que recebiam os negros. Até hoje isso ainda acontece, com a desvalorização da vida humana, quando se trata das populações escravas e assalariadas em volta do mundo. Querem um exemplo disso? Pois bem, domingo no clássico Corinthians e São Paulo houve o incidente com a torcida da Gavião da Fiel e a Polícia Militar tratou a massa como boiada, menos que boiada porque para alguns PM´s boi tem mai valor que negros e pobres. Nesse acontecido muitos acabaram feridos gravemente. Mas o que mais preocupa é ver indivíduos, brancos, escolarizaqdos, defenderem a atitude da policia. Ou seja, para essas pessoas, tudo foi feito como tem que ser feito. Afinal, mão de obra barata não tem valor no mercado de trabalho. E diferentemente da época da escravidão, quando um negro custava uma fortuna e só poucos podiam ter um, hoje o escravo atual custa nada ao seu "dono". Ele é recrutado nas populações pobres e se morrer o "Gato" não perde capital nenhum, porque nada investiu para conseguí-lo. Cruel, mas é assim a Vida ! Há, uma coisa para prestarmos atenção nesse escravismo contemporâneo: os grandes times de futebol da Europa, tentanto encontrar novo Ronaldos, Péles, etc. e tal, agora abrem filiais no Brasil e já comparam o "neguinho" bem pequenino, que é mais lucrativo.

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Mudando de pato para ganso mais continuando com o mesmo espírito indignado. E as acusações do Senador Jarbs Vasconcelos contra o PMDB? Que coisa feia. Confesso que não entendi porque só agora ele faz essas acusações, porque faz muitos anos que ele é do PMDB e, ele mesmo, é um cacique regional, que veio a substituri a Miguel Arraes em Pernambuco. Então fica a pergunta, porque despejar agora essa caminhão de acusações? De alguma maneira, depois da legalização dos Partidos Políticos, quando o antigo MDB e depois o PMDB deixou de ser a casa dos políticos clandestinos, essa bandalheira teve início. Depois que, para não disputar mais a hegemonia dentro do Partido, o Montoro, o Covas e outros espertinhos abandonaram o Ulysses Guimarães, para  fundar sua grei (PSDB) que atendesse os  seus interesses pessoais, já que ficando no PMDB paulista estariam sob a tutela de Quercia, o partido da "resistência" transformou em moeda de troca de eleição de muitos políticos. Isso é sabido e certo. O grave na história é um Senador do próprio Partido fazer as acusações que fez e a direção Partidária alegar que não tomará nenhuma providência porque elas são genéricas, ele não deu o nome aos bois.

O mais grave é o Ministério Público e os Tribunais Eleitorais não tomarem providências. Afinal, se há acusação não deveria haver investigação? Porque o que está dito na entrevista do Senador é grave. Na sua afirmação o PMDB não passa de uma organização criminosa legalizada sob o estatuto de partido político. Ele só existe para negociatas e barganhas eleitorais do interesse de seus constituintes. Ora, como cidadão, entendo que isso é crime organizado e deveria ser investigado e, se for o caso, colocado na ilegalidade o partido e punido os responsáveis pelos atos praticados. No mesmo saco aparece de novo, segundo o Acusador, o Presidente e o seu Partido como coniventes com tudo isso. Mas o mais incrível, é que perguntado, para um político do PMDB se concordava com as acusações e porque não sai do Partido ele respondeu: que não saio porque todos os outros partidos são iguais. Bem, então, dentro de uma lógica cartesiana, temos no Brasil uma série de Partidos que não passam de organizações criminosas nos dirigindo e administrando politicamente. Isso me leva a pensar o espaço que quer ocupar o PCC na vida social e da política nacional, ou seja, como todos essas organizações criminosas o PCC está somente reivindicando sua parte do bolo, já que como organização criminosa detem uma parcela significativa do mercado ilegal do país.  

O que é mais incrível é que tudo ficará como está. O Senador Jarbas Vasconcelos permanecerá no PMDB e mandando na política pernambucana. O Sarney e o Calheiros que são citados na entrevista continuarão dando as cartas no Senado Federal. Michel Temer continuará desfilando sua personagem de "Dom Quixote" sem dorotéia pela politica paulista e nacional. Quércia continuará dando as cartas no Estado de São Paulo. O Serra continuará desfilando de "viúva impoluta".  Sérgio Cabral continuará dançando funk nos morros cariocas, enquanto brinca de governador de Estado. E o Aécio Neves, gente, o Aécinho, o garotinho de minas gerais, que quer brincar agora de Presidente, estuda seriamente mudar de facção criminosa, deixar o PSDB e ingressar no PMDB. Se ninguém se indigna com isso tudo, porque não avacalhar? E quem não leu o livro italiano "Gomorra" não precisa fazê-lo, porque é mais ou menos isso que ele descreve sobre a Itália. Vejam senhores, como sonhava Collor, estamos caminhando em direção ao Primeiro Mundo.

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 será que ainda há tempo para se indignar?



Escrito por maiafolias às 12h45 PM
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E ai mano, vamos trocar umas idéias?

comportamento

Papo maluco

Jovens quebram a cabeça e inventam linguagens próprias para conversarem com os amigos ou darem voz a personagens de histórias fantásticas

DIOGO BERCITO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Acordo ortográfico? Que nada. Enquanto alguns quebram a cabeça para se adequar a novas regras da língua portuguesa, outros estão preocupados mesmo é em criar idiomas e modificá-los como bem entenderem. Para essa gente, tanto faz se a linguiça vai perder o trema. Por exemplo, no teuto, língua inventada por Leonardo Antonini, 23, a palavra para linguiça é outra, inclusive -"vorste".
Leonardo começou a criar o teuto em fevereiro de 2008. Hoje, o glossário do idioma já tem mais de mil palavras. "É uma língua do tronco indo-europeu", explica. "E a completei com um pouco de protogermânico, sânscrito, protocelta, protoiraniano, grego e outras línguas antigas. É claro, houve também muita imaginação para combinar tudo isso."
O mu lanc, criado por João Paulo Berrêdo, 21, teve outra origem -veio da mistura das línguas latinas, com as quais ele teve contato quando participava de um coral. O interesse resultou não só no novo idioma mas também no aprendizado dos que já existiam. Hoje, João fala espanhol, francês, inglês e alemão e pesquisa na internet sobre romeno, latim e italiano.
Na prática, a língua tem pouca utilidade. "Uso para fazer anotações no meu diário", revela o inventor. "Meus amigos sabem, mas não se interessam. Mas eu também não me interesso em ensinar, é uma coisa minha, para exercitar minha criatividade", explica.
Já o maladês, língua criada há quatro anos por José Luiz Freitas Aléo, 19, teve resultados indiretamente proveitosos ao estudante de letras. "Ajudou, por exemplo, nas notas em linguística", comemora.
O número de falantes do maladês é, hoje, baixo -apenas um. "Só eu falo, é um passatempo solitário", confessa.
"Uso para escrever lembretes ou coisas que ninguém mais pode ler", exemplifica. "Meus amigos acham que é loucura [criar uma língua], mas é um hábito comum pra quem já criou um mundo imaginário", conclui José Luiz.
É o caso de J.R.R. Tolkien, que escreveu "O Senhor dos Anéis" e é a estrela guia dos criadores de novos idiomas (leia mais na pág. 8).
E é também o caso do estudante André Mattana, 20, que inventa palavras para a "língua antiga" falada pelos povos que habitam o mundo do romance que está escrevendo.
Mas André não concentra seus esforços em criar uma língua, como Leonardo ou João: "O que eu faço é inventar palavras a partir de um conjunto de estruturas em comum, para que elas pareçam relacionadas". Por exemplo, usa a letra "i" no final para indicar plural.
As palavras novas, assim como as demais anotações do escritor, preenchem as páginas do caderninho surrado em que registra as ideias.

Pouco a pouco
A criação de uma nova língua, para Ygor Coelho Soares, 20, "é um processo". "Inventei o lissemês aos 13 anos e até hoje trabalho em cima dele", relata.
Em vez de buscar inspiração nas línguas que já existem, Ygor procurou justamente afastar-se delas. "Quis criar alguma coisa diferente, a partir do zero".
Para se inspirar, o jovem gosta de navegar pelos verbetes da Wikipedia escritos em idiomas que não conhece. "Descobri que há várias maneiras de se expressar", explica.
O inventor desenvolveu uma gramática própria para seu idioma, mas conta que se diverte mesmo é na hora de engordar o vocabulário. "Cada palavra tem sua própria história."
Quanto ao futuro do lissemês, Ygor não faz muitos planos. "O que sei é que criar me dá prazer", diz Ygor.

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A matéria acima dá muito o que pensar. Por um lado é interessante pensar na criação de uma nova língua. É a confirmação de que as que existem já não servem pra comunicar o que nós desejamos e pensamos. Carcomidas pelo tempo, gastas pelas hipocrisias através da história, enferrujadas pelas mentiras que tem veiculado através dos tempos, o jovem quer criar algo que ainda "imaculada" melhor expresse seus entimentos, emoções, pensamentos. Isso tudo seria verdadeiro se a criação de novas línguas visassem ser ensinadas para maior número de pessoa do que o seu criador. Ai sim, poderia significar algo de rebeldia contra as línguas existentes e a ordem reinante. No entanto, como nenhum deles tem a preocupação de expandir para "outros" sua compreensão, essa "mania criativa" me parece tem a ver mais com a recusa de comunicação com o outro (uma espécie de esquizofrenia buscada) e da recusa em aceitar que, gostemos ou não, é nesse "mundão de deus" que vivemos, com todas as suas contradições.

Na artes houve outras iniciativas de se denunciar a língua como instrumento inepto para a comunicação com o "outro". No teatro dois dos expoentes dessa denúncia e incoformismo são Samuel Becket e Ionesco, cada qual de sua maneira. A ausência de incomunicabilidade, em última instância, como dizia Barthes é o "silêncio". Como em uma obra de teatro o silêncio por si só nada comunicaria, inclusive não comunicaria o protesto da incomunicabilidade, as palavras foram usadas por esses dois autores como uma maneira de denunciar o esvaziamento delas eo nâo "dizer nada" dos discursos reinantes. É como se nos diálogos só lessemos "blá blá blá", uma simplificação ridículo, mas talvez os jovens da internet venham a entender. a era do computador, que para muitos é uma janela para o mundo como nunca visto igual, tem sido, nos últimos tempos, apresentado por diferentes estudo como de fato um "modo dda pessoa aumentar sua "ignorância" e não aumentar seus conhecimentos. Ou seja, a maior parte do tempo os jovens ficam presos nos chats falando "abrobrinhas" como diria a minha geração. Ou inventando língua para não serem compreendidos como notícia a matéria acima. Essa recusa de estar no mundo é uma nova forma de "alienação" que na época de Marx seria impossível ser pensada. É a "alienação informada", um oxímoro contemporâneo que, talvez, possa explicar o que tem acontecido. Essa recusa de uma língua que ultrapasse a fronteira do seu criador, é a mesma recusa que os impede de serem solidários e de entenderem que sem o "outro" nada se pode fazer, inclusive, se conhecer a si próprio. Essa recusa da "história", é assim que encaro esse isolamento comunicativo, coloca novos desafios a quem pretende fazer arte e se comunicar com o "outro". E assim, no meu modesto ponto de vista, o que alguns podem achar o ápice da "mudernidade" analiso como sendo uma volta ao tempo da cavernas, onde a comunicação era ainda um grande obstáculo ao homem para realizar sua jornada histórica. E o que é interessante, o que esse jovens não entendam que, de alguma maneira, mesmo que indiretamente, esse tipo de criatividade é incentivada por aqueles que querem cada um na sua e deus Mercado para o Capital. Mas como é tudo muito "novo" e não sou sociólogo, nem sequer psicólogo, vamos deixar as possibilidades de análises mais profundas para esses profissionais. Mas que dá um medo dá. é so a gente pensar em "Tiros em Columbine" e se vê no que tudo isso resulta.

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Por falar em falta de comunicação, onde vamos parar com relação aos demandos na área cultural? A última foi a suspensão do Fomento para a dança na cidade de São Paulo. E a gente continua agindo como se as coorporação não tivessem nada a ver uma com a outra.Assim, como a quest~]ao envolver o pessoal da sapatilha, os teatreiros ficam na moite. Esquecem daquele poeminha, que todos dizem ser do Bertolt, mas é de um pastor Presbiteriano, hoje é o jardim do vizinho que é invaido, amanhã será o seu. E o mais gozado é que na semana de protesto dos bailarinos e dançantes em geral (o protesto é par ser dia 16/02 na GAleria Olido) o "Estado de São Paulo" dá uma matéria de capa falando da falta de público para a dança. Será que o jornalista achou que com isso estava ajudando o movimento da dança na sua reivindicação de manutenção da Lei de Fomento?

O mais incrível ainda que todos os entrevistados falaram da dança, de suas dificuldades de criação, das diferentes formas de encarar a coreografia, mas não falaram uma palavra sobre a crise da Lei de Fomento (pelo menos na matéria a crise só aparece em um box). Ou seja, qual a diferença dessa tipo de comunicação com a citada acima das criações de língua? Para que língua se não se quer refletir sobre o mundo real e comunicá-lo ao outro? Parfecia que todo o próprio da dança é uma questão de opções estéticas e das "formas" que utiliza para suas coreografias. E dessa maneira o poder público pode muito bem dizer: esta vendo como estamos certos, cortamos as verbas porque a dança não interessa a niguém, sequer a "elite branca" como nomeia o nosso querido e contraditório Cláudio Lembo. O investimento não é proporcional, como gostam os liberais, ao custo benefício. E enquanto nós discutimos a forma, ele vão pouco a pouco implementando o conteúdo que desejam em suas políticas públicas para a área da cultura.

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E como se problema não houvesse os movimentos políticos do teatro, da dança, dos empresários (vejam só como estou democrático) sumiram do panorama e do cenário nacional. Parece que tudo corre a mil maravilhas nas diferentes áreas da administração pública: federal, estadual e municipal. Incluse parece que o Lula nem cortou o orçamento do Ministério, que se diz tão queridinho do Mantega, a ponto da gente ficar sem tostões. Mas no entando a Lei de Inventivo Fedral está autorizada a captar mais de 1 bilhão de reais. Tenho achado ultimamente que todos nós estamos vivendo um processo longo de "domesticação" a la "Laranja Mecânica", filme Kubrick. Os olhos bem apertos mais nada vêem! Os meios de "comunicação" (tipo internet) todos a disposição e o isolamento imperando. E ainda tem gente falando nas eleições de 2001, do perigo da direita ganhar, etc. e tal, como se houvesse, hoje, no país outra posução política distinta dessa que vige atualmente na área cultural para as diferentes esferas do poder. Por falar em eleições, o Lula tem agradado todos setores para ver se a Dilma decola. A área cultural é tão sem importância para ele, quem não lê jornal, que para todos os setores da econômica ele criou pacotes anti crise financeira internacional, para a área da cultura ele só lembrou de corta o orçamento. Isso não diz tudo para você leitor? Ou ainda é preciso mais alguma coisa? 

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Está em cartaz no Galpão do Folias "Querô", texto de Plínio Marcos com direção de Marco Antonio Rodrigues, de quinta a domingo. É um tema atual e que deveria ser motivação para todos que, assistindo, tomariam contato com uma realidade "secular" de nosso país, que deveria envergonhar a nós todos. O Galpão do Folias, fica próximo a Estação Santa Cecília do Metro e o telefone para reserva é: 3361.2223.

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.siam éta, sueda aroga E (para se entender é só ler com um espelho)    

    

 



Escrito por maiafolias às 02h35 PM
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O Sadomasoquismo da classe dirigente

 “Estou preocupado com o futuro. A Osesp é um projeto meu, não deles. Mas, agora, é deles, daqueles que não me quiseram mais na orquestra, a responsabilidade de levá-la adiante. O perigo é imenso. A possibilidade de dar errado é grande porque não há projeto claro. (...) Não sou insubstituível, mas não concordo com a maneira como esta acontecendo a troca. (...) Mas, o que vai fazer uma Secretaria de Cultura que só desconstrói? Eu não durmo de preocupação! (...) O que mais me magoa é ver um trabalho reconhecido internacionalmente, uma posição que adquiri ser colocada em jogo com ligeireza. (...) Agora, insisto que não há razão artística para minha saída. O que existe é uma assessora do secretário, Cláudia Toni, que foi diretora da Osesp e cuja missão pessoal é, hoje, se vingar. Ela sempre foi assim, é uma pessoa muito indiossincrática.” ( John Neschling. Regente da Osesp com salário de R$ 100.000,00 por mês)

 

Nos últimos tempos, os músicos começaram a reclamar usando os meios de que dispunham -confidencialmente, por e-mails anônimos e em conversas particulares. Além disso, mas ainda em surdina, acumulavam criticas à própria condução artística da Osesp e à qualidade da regência.
O estilo autoritário da liderança do maestro impedia que essas reclamações chegassem ao Conselho da Osesp -havia medo de represália, de demissões. Verdade que, historicamente, maestros são temperamentais, difíceis de conviver. Atualmente, isso não é mais verdade. E o Conselho da Osesp não podia deixar que o futuro da orquestra e a obra do maestro fossem comprometidos pelas explosões do maestro na imprensa, no YouTube ou até em palco.
A preocupação máxima do conselho, da secretaria da Cultura e até dos amigos da orquestra, fãs de Neschling, era garantir uma transição tranquila. Demonstrar que o governo continua comprometido com o apoio à orquestra, que não existe conflito entre orquestra e governo. Não só porque não existe de fato esse conflito mas também porque essa é uma condição necessária para atrair e contratar novos maestros e músicos que permitam o crescimento ainda maior desse corpo musical.
( João Sayad, Secretário da Cultura do Estado de São Paulo, publaicado na Folha de São Paulo.)

 

Há quem diga, com razão, que o maestro John Neschling sempre repetiu ao vivo e a cores a tradição que parece fazer parte do folclore do ofício de maestro. Arturo Toscanini, uma lenda entre os regentes contemporâneos, era um ditador. Citá-lo, como paradigma, (inclusive do maestro brasileiro), entre muitos, é quase um lugar-comum. O que não entra na conta das obviedades, é o fato de que nunca, em momento algum, o Brasil teve uma orquestra com tantas qualidades quanto a que Neschling formou. Mesmo os instrumentistas mais empedernidamente contráros ao agora ex-regente da orquestra, sempre tiveram que a OSESP vale pelo que Neschling fez com ela. Se antes era difícil, senão impossível supor que a orquestra paulista contasse com alguns dos melhores nomes da regência mundial– no estrito mundo dos maestros de qualidade são pouquíssimo os que aceitam dirigir um conjunto deficiente - o que fica da sua demissão é uma grande incógnita.

(Enio Squeff, Carta Maior, 24/01/2009)

 

As três afirmações citadas acima dizem respeito a crise da OSESP – a orquestra sinfônica do Estado de São Paulo. Mas do que revelar o teor da crise, as três declarações acabam nos elucidando sobre como é compreendido o Estado, a coisa Pública, a coisa Privada e o cidadão. Então, se muito esforço, para que o leitor tenha algumas pistas e possa dar continuidade a essa reflexão, vão aqui algumas observações.

 

Sobre a declaração do Maestro:

. O projeto da orquestra é dela. Eu na minha santa inocência sempre acreditei que qualqer ação do aprelho de Estado fosse uma iniciativa Pública, isto é, atendendo os ditames e necessidades, assim como o planejado pelos orgão públicos. A OSESP é uma coisa pública. É como se o maestro reunisse na garagem da casa dele uma série de músicos para todaca música clássica. A diferença é que quem paga a conta somo nós;

. Outra revelação bombástica e que tenho que concordar com o Maestro. A secretaria de cultura do estado de São Paulo só desconstrói. Parece até frase dos irmãos Campos, mas não é. De fato o PSDB, nesse governo sem data para acabar, apesar deles condenarem a eleição ilimitada do Chavez, trasnformou a Secretaria de Cultura num grande laboratório de privatização dos equipamentos públicos. Entregou, por exemplo, todos os teatros do Estado para uma OS, isso feito sem licitação, edital e etc. e tal. Ou seja, a especialidade do PSDB em cultura, como foi na gestão do FHC, é entregar o Estado para a iniciativa privada;

. as coisas acontecem no PSDB por brigas pessoais. O mastro alega que está saindo por “ciúmes” de uma funcionária do Secretario etc. e tal, como se estivesse falando de “briguinhas familiares”. O cidadão nesta história está mais para escanteio do que qualquer outra coisa. Ele só paga a conta, porque nem aos concertos ele vai, porque são um fortuna e feito em horários que ele está trabalhando. Mas o que tem a ver o cidadão com música clássica, isto é coisa para a “elite branca” como fala o Claudio Lembo. Ele deve é ficar contente em pagar os impostos e saber que esta financiando a diversão de seu patronato

 

Sobre as declarações do Secretário:

. O secretário confessas que, tal como nos tempos da ditadura, a administração da secretaria e suas atitudes são tomadas levando em conta as “delações anônimas”. Olha só que horror. Essa afirmação nos faz pensar que todos os músicos da Sinfônica são alcaguetas. Não são capazes de discutirem as claras suas discordâncias. O que leva a supor que o clima da adminstração pública na Secretaria e na orquestra é de terrorismo de estado. Se houver  alguma discordância o cara vai pro “pau de arara”? Ou esse negócio de disque denúncia pegou mesmo no Brasil? Se pegou, olha que estamos falando da “elite cultural”, de músicos eruditos, a coisa tá feia.  Isso mostra como são as coisas na “alta cultura”. E ainda falam mal do populacho;

. uma coisa legal é ver como esse povinho da classe A, que detem mais de 80% do PIB nacional, acha normal o tipo do administrador “autoritário”. O secretário diz que o maestro ser temperamental é natural. É como se o fato dele ser temperamental, isto é , da pessoa ser temperamental, fosse um “selo de genialidade”. Mas é nisso que transformaram o país. Eu fico pensando, será que se um técnico da burocracia da Secretaria chegar um dia no serviço quebrando as coisas, o seu chefe superior vai achar isso normal? Se é assim, porque eles não acham normal quando o operário faz greve, que é muito menos “temperamental” dos que os provveis chiliques dos maestros? É um povinho que, no inconsciente, é chegado a ditadura. Bem, vale lembrar que alguns deles trabalharam para os Generfais em cargo de confiança;

. que bom o secretario dizer que a secretario e a orquestra não tem conflitos. Isso, como contribuinte, me alivia. O conflito é com a orquestra e o seu “dono”, o maestro. Bem, a secretaria não poderia ter conflito mesmo com a orquestra,. Segundo o maestro a orquestra é um projeto dele, logo a secretaria, esses anos todos não teve uma orquestra, só pagou as contras das brincadeiras musicais do maestro. Não é banca isso. E ele ganhava tão pouco, uns míseros R$100.000 reais por mês;

 

Sobre as declarações do crítico musical:

. a gente presume que a função do crítico é ter uma visão crítica de seu objeto de trabalho. Ledo engano. O crítico em questão tabém acha tudo muito “natural”. É naturalíssimo para ele que o maestro seja um ditador, um cara autoritário. Olha, se o maestro pode ser autoritário, porque os governantes, que são eleitos por eses voto viciados da democracia burguesa, também não podem ser. Não achava que era um fetiche sexual tão grande assim no mundo da música o “autoritarismo”. Será que esse pessoalzinho é tudo masoquista?

. ah, mas esstou sendo injusto. Se o maestro é autoritário mais a orquestra toca bem, então, tudo bem! Fico pensando e chequei a conclusão, porque tanta gente elogiava o Pinochet, o ditador autoritário, para se rredundante, do chile: é que a economia do país cresceu, enquanto ele matava uns chileninhos metidos a besta que tinha por lá. Ou seja, se o país cresceu, porque condenar os assassinatos do Pinochet? Se vale para um maestro de orquestra, porque não valeria para um ditador? Ou ainda se tem vários pesos e várias medidas? Ou o pessoal da música acha que o seu mundinho é distante do mundão que existe fora das salas de concerto?;

. o crítico, também faz o silogismo legal. Olha, o fato do maestro da OSESP ser como é e ganhar o que ganha tem sentido porque nenhum maestro quer reger orquestra ruim. E o coitadinho do John, interessante esse nome e o seu sobrenome, tão nacional, criou seu brinquedinho, fez ele funcionar bem, e agora, injustamente, os FHC e cateva, epa eu escrevi FHC? Quer dizer que ele nãoa guentou não ser Presidente teve que arranjar uma associação para presidir? Será que ele levou o cabeção seu Ministro da Cultura para ajudá-lo? Bem, o fato que o coitadinho do maestro fez a orquestra tocar bem e agora tiram dele seu brinquedinho de estimação. Esses homens públicos insensívbeis? Eta povinho ingnorante que não reage a esse ato injusto e pede para ele continuar mandando na orquestra e fazendo o que quiser com o dinheiro público? O seja, no país o Público é dessa casta de afortunados que estão no poder desde os tempos coloniais e o transformou em coisa Privada. E nesse caso não adiana o FHC falar que tem um pe´na Senzala. Se tem é para bater na mucamba de plantão!

 

PS.: Quem conhecer um ditadorzinho bom de regência e que confunda o público e o privado, favor indicar para a OSESP e o Secretário de Cultura do Estado de São Paulo.

A imprensa está tentando transformar a "crise" da OSESP em fato tão importante quando a crise financeira internacional. É como se a OSESP e a música clássica, restrita a "meia dúzia" de brasileiros, fossem tão importante quanto qualquer time de futebol brasileiro. Ou seja, todo mundo está interessado em ver seu desfecho. É ex-Presidente pousando de Dom João VI, com papagaio de pirata respondendo as questões para ele; maestro posando de "persedguido" político, só falta agora ele pedir asilo político na Itália e secretário bovarista contratando regente substituto francês. Com essa contratação francesa a coisa fica assim, para o secretário de cultura do Estado, o sr. João Sayad: arquitetura no Brasil só fornece pedreiro (o caso da sala de dança que contratrou escritório da comunidade européia); restaurador de filme no Brasil é europeu, brasileiro é bom para ficar buscando as latas de filme e servir o cafézinho; e em música clásica brasileiro é bom para montar as estantes e colocar as partituras. Ou seja, melhor do que isso é a gente ter que pagar o importo para sustentar uma coisa que não se tem direito. E a cultura paulista e brasileira que se liche, afinal, esses "nativos" só servem para encher o saco!

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 Por falar em nativo, qual é a da Itália? De uma hora para outra virou em grande defensora dos direitos humanos com direto a esculhambar o Brasil. O caso Batisti virou crise diplomática internacional. Será que é porque eles se arrependeram de não terem dado conta dele no território italiano? O que é interessante é a reação de nossa imprensa. Antes de ter todas as informações do caso, sairam em defesa dos argumentos italianos. O pensamento é "bovarista" como o da crise da OSESP. Se a Itália diz que ele é crimonoso, então, quem é o Brasil, país tropical, para dizer que ele é ativista político? Ora, como pode um subdesenvolvido questionar um país do primeiro mundo? A itália é país de primeiro mundo? Mesmo tendo o Berluisconi como Presidente? Por falar em Berlusconi se a justiça italiana está tão sedente de justiça porque não prende o Berlusconi? Essas coisa ninguém diz. Se a Itália continuar dizendo desaforos do Tarso Genro a gente deveria deixar de comer Pizza. Ai sim nós iamos criar uma crise diplomática. Ia ter um monte de italiano que vive nessa "esbornia", como disse o Ministro Italiano, chiando contra seu conterrâneo. Por sinal, os italiano são tudo boa gente, então, pra frente que atrás tem gente! 



Escrito por maiafolias às 12h58 PM
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A Marola Que Virou Tsunami

 

ENTREVISTA: CHICO DE OLIVEIRA

"Vargas redefiniu o país na crise de 30; a chance é que o PT faça o mesmo na primeira grande crise da globalização"

Em entrevista à Carta Maior, Chico de Oliveira analisa o que considera ser a primeira grande crise da globalização capitalista. "Estamos diante de algo maior que a própria manifestação financeira da crise; algo que persistirá para além dela e condicionará todos os passos da história neste século", afirma. O sociólogo torce para que o PT tenha coragem e capacidade para ajudar o país a deflagrar um ciclo inédito de investimento pesado na economia. "Algo como criar cinco Embraer's por ano", exemplifica.

Redação - Carta Maior

Data: 06/01/2009

Dona Joventina preconizava para o filho Francisco Maria Cavalcanti de Oliveira uma carreira venturosa no sacerdócio. Chico, porém, era apenas um em uma prole de onze; isso deve ter facilitado a desobediência ao roteiro materno. O desvio do percurso o levaria ao engajamento profano que começou com a adesão ao Partido Socialista, aos 20 anos de idade; mas nem por isso a rota gauche o afastou da leitura dos evangelhos. É tomando emprestado a palavra dos profetas que o sociólogo nascido em 7 de novembro de 1933, em Recife, companheiro de Celso Furtado no início da Sudene, fundador do PT e do PSOL, hoje um analista mordaz de ambos com reflexões que incomodam mas não são ignoradas, resume as esperanças -"talvez fosse melhor dizer a torcida", retifica- em relação ao papel que a esquerda brasileira, especificamente o PT, poderá jogar diante do que classifica como a "primeira grande crise da globalização capitalista".

"Aproveitai as riquezas da iniqüidade, aproveitai", acentua o sociólogo, doutor honoris causa pela USP e pela UFRJ. Chico adiciona à evocação de São Paulo um sentido de engajamento que resume a brecha diante da qual, à moda gramsciana - cético na razão, otimista na ação, torce por um aggiornamento do projeto petista para a sociedade brasileira.

O hiato de reacomodação capitalista que se abre agora, ao contrário, reservaria à esquerda, no seu entendimento, uma paradoxal possibilidade de repetir a história modernizante , mas não como farsa -"o que seria uma tragédia"-- e sim como ousadia e criatividade condensadas em um projeto democrático popular. "Trata-se de recriar um 1930 do século XXI". A alegoria serve apenas para resumir o torque que se cobra das forças dispostas a superar a crise como requisito obrigatório para derrotar a coalização conservadora liderada pelo PSDB em 2010. "Na grande crise capitalista de 1930 tivemos uma reordenação do desenvolvimento brasileiro enfiada goela abaixo da plutocracia paulista", lembra Chico de Oliveira para dar o crédito à visão de estadista de Getúlio Vargas. "Aquele foi um projeto arquiteto por cima; desta vez trata-se de fazer uma reordenação tão profunda,ou maior; mas induzida por baixo, pelas forças sociais da base da sociedade brasileira em nosso tempo".

O PT, no seu entender, seria o operador desse aggiornamento histórico do desenvolvimento. "É quem dispõe de massa e de liderança, enquanto os demais agrupamentos socialistas constituiriam a ponta de lança instigadora do processo". Carta Maior:

Carta Maior - A crise financeira atual repõe a centralidade do trabalho, ou seja, devolve à esquerda o sujeito histórico que ele acreditava ter se esfarelado na história?
Chico de Oliveira - Na verdade, não concordo que essa seja uma crise financeira; tampouco acho que a sua origem esteja nos mercados financeiros centrais. A meu ver estamos diante de uma crise da globalização do capital. Todas as outras também foram crises globais, claro, devido à centralidade do capitalismo norte-americano. Mas essa crise não floresce exatamente num ponto geográfico; à rigor, se formos localizá-la seria na incorporação da mais-valia gerada na China e na Índia nos últimos vinte anos; novidade esta que influenciou o conjunto da globalização capitalista e redundou no atual colapso; uma crise de realização do valor. O sintoma financeiro é sua manifestação mais evidente, mas não a sua essência.

CM - A essência seria o barateamento da mão-de-obra mundial?
Chico - A essência é a impossibilidade de realizar o valor gerado por ela; ou seja a mais-valia extraída da incorporação adicional de 800 milhões de novos operários baratos ao mercado de trabalho mundial. Isso produziu uma revolução na medida em que dobrou ou triplicou a oferta de mão-de-obra oferecida ao capitalismo, dilatando a fronteira da mais-valia, sem contudo propiciar uma expansão equivalente da capacidade de realizá-la.

CM - Por quê?
Chico - Porque o custo de reprodução de mão-de-obra nas sociedades onde se expande a nova fronteira da mais-valia, casos da China e da Índia, principalmente, é muito baixo, ainda que a exploração esteja aliada à tecnologia de ponta. Estamos diante de uma crise clássica de realização do valor, amplificada; uma crise da globalização capitalista. O colapso das hipotecas nos EUA é a manifestação disso. De um lado, a produção na China e na Índia barateou o consumo norte-americano; propiciou também sobras de capital na periferia para financiar o Tesouro dos EUA. A China sozinha tem mais de US$ 1 trilhão aplicado em papéis do governo Bush. De onde saiu esse dinheiro? Certamente não foi geração espontânea. É mais-valia extraída do operário chinês que não se realiza lá porque o custo de reprodução da mão-de-obra local é baixíssimo.

CM - Mas a crise não marca o esgotamento dessa endogamia China/EUA?
Chico - Ela funcionou bem durante algum tempo e continuará a girar porque é proveitosa aos dois lados. Ao mesmo tempo a engrenagem esfarela o mundo do trabalho urbi e orbe; os assalariados norte-americanos simplesmente não têm fonte de renda para o padrão de consumo que ainda desfrutam; estão devolvendo casas e vão morar em garagens coletivas, dentro dos seus carros. Obama teria que elevar brutalmente o poder aquisitivo dessa gente para contornar a crise. Fará isso? Honestamente, não sei dizer. O fato é que as implicações desse processo devem ser estudadas cuidadosamente; estamos diante de algo maior que a própria manifestação financeira da crise; algo que persistirá para além dela e condicionará todos os passos da história neste século

(NR - CM levantou alguns dados que reforçam as preocupações de Chico de Oliveira: a incorporação ao mercado capitalista da produção chinesa, indiana e de países da antiga União Soviética colocou trabalhadores de todo mundo em concorrência internacional direta pela primeira vez na história; trabalhadores ocidentais tornaram-se minoria num mercado mundial que ganhou 1,2 bilhão de operários adicionais nos últimos 30 anos; 350 milhões de trabalhadores treinados, e mais caros, do Ocidente, responsáveis pela maior parcela da produção global até recentemente, estão sendo desalojados de empregos e salários; das 3 bilhões de pessoas ativas no mercado global hoje, metade ganha menos de US$ 3 por dia.

A China, a nova oficina do mundo, tem um custo/hora do trabalho de US$ 0,60, contra média de US$ 30/h na Alemanha, US$ 21 nos EUA e cerca de US$ 4,50 no Brasil .Resultado: dados compilados pela Comissão Européia revelam que a parcela de riqueza destinada atualmente aos salários é a mais baixa desde 1960 (o primeiro ano com dados conhecidos). Em contrapartida, a riqueza abocanhada pelos detentores do capital financeiro vinha batendo recordes seguidos até o colapso atual. A produtividade ao mesmo tempo não pára de crescer -desde 2001, cresceu 15% nos EUA e saltou em média 8% a 10% ao ano na China. Entre 1990 e 2004, a participação dos produtos chineses no total de bens importados pela AL cresceu de 0,7% para 7,8%. No mesmo período, a fatia dos produtos brasileiros na região subiu de 5,3% para 6,5%)
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CM - O que o senhor está dizendo é que a tentativa de equacionar a crise a partir de sua manifestação financeira não basta ?
Chico - É isso. A contribuição de Chesnais à compreensão da dinâmica capitalista foi importante num outro momento porque os marxistas sempre tiveram dificuldade em lidar com a questão financeira. Mas a interpretação chesniana não dá conta da crise atual. É uma crise de realização do valor.

CM - 1930 também foi uma crise de realização do valor e se resolveu....
Chico- Uma crise de realização do valor circunscrita ao território das economias centrais. Ainda assim exigiu um Roosevelt; e uma Guerra mundial para ser contornada. Esse paralelo apenas reafirma a gravidade do que temos diante de nós; e o que temos é uma crise da globalização à 29; o ferramental dos anos 30 não dá conta disso.

CM - O receituário keynesiano?
Chico - As opções keynesianas valiam para uma economia fechada que podia conter a livre movimentação de capitais; hoje você precisaria de um dinheiro mundial para regular a parafernália financeira; socorrer déficits em conta corrente e harmonizar desequilíbrios comerciais etc. O dólar não é isso; o dólar é uma moeda hegemônica, não é o dinheiro único que o instrumenal keynesiano necessitaria para ter eficácia atualmente.

CM - Estamos diante de um longo processo de solavancos e limbo sem redenção...
Chico - Uma crise longa, dura, que exigirá reacomodação brutal de forças e vai impor mudanças em todo o mundo e no Brasil também. Mas não tenhamos ilusão: o capitalismo não chegou ao limite. Tampouco é o fim da associação China/EUA; de algum modo ela prosseguirá porque é proveitosa aos dois lados. Ademais, o capitalismo não se destrói, ele é superado, como o leitor atento de Marx bem sabe.

CM - Que espaço sobra para a periferia do sistema, caso do Brasil, entre outros?
Chico - Estamos emparedados entre a concorrência chinesa e a desordem financeira no coração do capitalismo. A crise nos pega no meio do caminho e, naturalmente, não podemos regredir e adotar um padrão chinês de salários de miséria. Alguns até gostariam, mas não dá, felizmente não dá mais e tentar seria uma calamidade social de proporções incalculáveis.

CM - Qual opção à paralisia, se é que existe uma - e viável?
Chico - Não existiu Vargas em 1930? A opção é uma soma de coragem política e investimento público pesado. Criar algo como cinco EMBRAERs por ano em diferentes setores; promover uma superação do modelo ancorado-o agora em forças sociais da base da sociedade. Carlos Lessa sugeria isso no BNDES, no começo do governo Lula; não deixaram...

CM - Mas o Brasil de Vargas não existe mais...
Chico - Para Getúlio também não foi fácil, mas ele fez. E fez à revelia da plutocracia mais poderosa do país; enfiou seu projeto goela abaixo da burguesia paulista e se firmou como um estadista da nossa história. A elite paulista jamais admitirá, mas ele foi o grande estadista do desenvolvimento nacional.

CM - Haveria espaço para esse salto nas condições do capitalismo do século XXI?
Chico - A crise é tão grave que abre um período de suspensão do hegemon; não sua derrocada, mas um hiato para lamber as próprias feridas. Isso tomará boa parte do tempo e das energias desse Obama, em relação ao qual, diga-se, não compartilho do otimismo de muita gente de esquerda. Mas o fato é que ele estará ocupado e com uma quantidade apreciável de problemas. Abre-se um espaço, portanto. Talvez até mais que isso: haveria uma potencial complementariedade de interesses se tivéssemos aqui um arranque de investimento público pesado. Isso de certa forma repercutiria positivamente no coração da economia norte-americana. Estamos diante de uma fresta histórica: uma suspensão do hegemon e um espaço de complementariedade para remar na mesma direção, o que poderá favorecer os dois lados a sair do buraco...

CM - Internamente a elite talvez não veja as coisas assim, como propriamente complementares, quando se associa crescimento a um arranque pesado de investimento público.
Chico - Nossa burguesia se transformou em gangue. Expoentes nativos são figuras do calibre de um Daniel Dantas ou esse Eike Batista que opera dos dois lados da fronteira boliviana; não se pode contar com protagonistas dessa qualidade para qualquer coisa, menos ainda para uma agenda de desenvolvimento. Não há saída por aí. Mas o Brasil também não teria saído da crise de 30 se Vargas fosse esperar a mão estendida da plutocracia de São Paulo, por exemplo. Ele ocupou o espaço e fez.

CM - Logo...
Chico - Logo precisaria reinventar o PT; um PT com a ousadia de um Kubitschek e de um Vargas; para fazer por baixo o que eles tentaram e fizeram por cima; um arranque do desenvolvimento induzido pela base social para mudar a economia e a sociedade. Cinco EMBRAERs por ano e ponto final.

CM - O senhor acredita nesse aggiornamento do PT?
Chico - Se depender de torcida para que aconteça tem a minha. A lógica de acomodação de forças que a crise mundial impõe é de dimensões tão brutais, tão inauditas que exige da esquerda brasileira um desassombro igualmente inusitado.

CM - E os recursos para esse ciclo de investimentos pesados?
Chico - O PT tem a base sindical e a base sindical tem o controle de todos os fundos de pensão (NR: os fundos de pensão aplicam apenas na dívida pública federal recursos da ordem de R$ 155 bilhões de reais). Então tem recursos para serem remanejados e repactuados com a base trabalhadora; dentro dela o PT desfruta igualmente de massa e representatividade.

CM - Essa é uma agenda para 2010?
Chico - É uma questão delicada para ser tratada num debate aberto; sem oficialismos de uns, nem preconceitos de outros. A história brasileira repete um impasse do desenvolvimento que não pode ser respondido com uma farsa porque seu resultado seria uma tragédia. Dessa vez o que se vislumbra como possível, repito, é fazer por baixo, com bases sociais existentes, e organizações disponíveis, aquilo que nos anos 30 e nos anos 50 se fez por cima: destravar o desenvolvimento e expandir o mercado interno. É preciso tratar isso com cuidado, insisto, sem oficialismos do PT, nem o sectarismo do Psol e do PSTU.

CM - A candidatura de Dilma Roussef pode oferecer a amarração a esse esforço?
Chico - Honestamente não conheço a ministra Dilma, exceto pelo que leio da má vontade explícita da mídia em relação a ela. Torço para que seja aquilo que amigos petistas dizem que é. Ou então, que seja alguém como o Gabrielli, o presidente da Petrobrás, que certamente também sabe o que está em jogo e as variáveis para sair da crise. Trata-se de articular uma coalizão de forças dentro da qual o PT seria o operador porque é quem tem massa e liderança eleitoral; os grupos à esquerda teriam seu papel de ponta-de-lança. O fundamental é ter um debate com muita abertura e sem preconceitos.

CM - Se a crise se agravar há risco de a oposição ganhar terreno e viabilizar uma vitória de Serra?
Chico - Serra antes de ser um personagem político é um caso psiquiátrico. Qual é o seu projeto afinal? É a obsessão pessoal e doentia pelo poder. Diante de uma crise da proporção que temos pela frente, porém, se você não avançar será soterrado por manifestações mórbidas. A pá de cal viria na forma de uma vitória tucana em 2010; aí sim estaríamos todos fritos. Eles ficariam aí por mais dez anos.

 



Escrito por maiafolias às 11h53 AM
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Um Negro na Presidência

 

De la prensa extranjera
De la servidumbre
a la presidencia de EE.UU.

JESSE J. HOLLAND

El primer bebé nacido en la Casa Blanca fue un nieto del presidente Thomas Jefferson. El segundo fue propiedad suya: un bebito negro, hijo de dos esclavos que le pertenecían.

 

 

Los esclavos ayudaron a construir la Casa Blanca y también trabajaron allí desde un comienzo como mayordomos, cocineros y mucamas.

Doscientos años más tarde, la elección de Barack Obama como el primer presidente negro de Estados Unidos le da una nueva dimensión a la compleja historia entre ese sector de la población y la Casa Blanca.

Durante la era de la esclavitud y después de ella, la Casa Blanca funcionó gracias a los trabajadores negros. La ceremonia de asunción de Obama, el 20 de enero, marcará un hito que difícilmente esa gente pudo haber imaginado.

"Me siento muy orgulloso de que vayamos a tener un presidente afroamericano y creo que el personal va a sentirse complacido de trabajar para un presidente afroamericano", comentó William Bowen Jr., de 89 años, un mayordomo que trabajó en la Casa Blanca con todos los presidentes desde Dwight Eisenhower hasta George H.W. Bush padre. El padre de Bowen también fue mayordomo de la Casa Blanca.

Cuando Bowen comenzó a trabajar en la residencia oficial del presidente, el movimiento en defensa de los derechos civiles de los negros estaba dando sus primeros pasos, la segregación era todavía legal y los negros apenas asomaban en los puestos más altos al servicio del gobierno.

La gente como Bowen era considerada "ayuda".

Bowen, quien está jubilado, dice que le gustaría volver a trabajar en la Casa Blanca para el primer presidente negro.

"Nunca pensé que llegaría a vivir este momento", expresó.

Su padre, William Bowen, dejó su puesto en el astillero de la Armada en Washington luego de la Primera Guerra Mundial para trabajar como mayordomo en la Casa Blanca. Al poco tiempo le consiguió un trabajo a su hijo, como cartero y ayudante de mayordomo. El padre le enseñó al hijo el código de silencio de la Casa Blanca que respetan todos los empleados.

"Presta atención a lo que haces y no hables con la gente mientras estás trabajando", le decía el padre al hijo. "No hables con los invitados a menos que ellos te hablen a ti".

Eran tiempos duros, en los que celebridades como Duke Ellington y Pearl Bailey asistían con frecuencia a fiestas y cenas en la Casa Blanca. Bowen dice que todavía recuerda sus conversaciones con presidentes y primeras damas, y que jamás se las comentó a nadie.

"Uno no habla de las cosas que suceden cuando está trabajando", dijo Bowen.

Cien años antes que los Bowen, los esclavos trabajaban dentro y fuera de la Casa Blanca. El constructor Pierre L'Enfant le alquiló esclavos a los hacendados para preparar los cimientos de la Casa Blanca. El arquitecto James Hoben empleó algunos de sus propios esclavos carpinteros para construirla.

George Washington obligó a esclavos de Mount Vernon a que trabajasen dentro de su residencia en Filadelfia. Comenzó así una práctica en la que los esclavos trabajaron en la residencia del presidente, que se mantuvo hasta la década de 1850.

No solo trabajaban. Muchos vivían también en la Casa Blanca. Según la Asociación Histórica de la Casa Blanca, había habitaciones para esclavos en el sótano. Se sabe de al menos un bebé de esclavos nacido allí en 1806, el hijo de Fanny y Eddy, dos esclavos de Jefferson. El niño, quien era considerado también un esclavo, falleció a los dos años.

La historia valora a estos esclavos por algo más que su trabajo.

Paul Jennings, esclavo personal del presidente James Madison, hizo el primer relato escrito de lo que era la vida en la Casa Blanca y acabó con la leyenda de que la primera dama Dolley Madison evitó que los invasores británicos se llevasen un retrato de Washington.

"Eso es totalmente falso", afirmó Jennings. "No tuvo tiempo de hacerlo. Hubiera necesitado una escalera para bajarlo de la pared. Lo único que se llevó fue la platería".

Agregó que el retrato fue retirado por un francés, John Suse, y el jardinero Magraw, quienes se lo llevaron en un carruaje. Años después, Jennings aportó parte del dinero que ganó como hombre libre para ayudar a Dolley Madison, que había quedado en la indigencia tras la muerte de su esposo.

El papel de los negros en la Casa Blanca fue cambiando con el paso de los años y pasaron de ser esclavos a invitados de honor. El presidente Abraham Lincoln recibió a los abolicionistas Frederick Douglass y Sojourner Truth. El presidente Andrew Johnson nombró a William Slade como el primer jefe de personal de la Casa Blanca.

En determinado momento, los negros comenzaron a trabajar para la Casa Blanca, no como sirvientes, sino como funcionarios de gobierno. E. Frederick Morrow fue el primer negro contratado como funcionario en 1955, por Eisenhower. Cinco años después, John F. Kennedy designó a Andrew Hatcher como subsecretario de prensa.

Los progresos no fueron fáciles y los negros experimentaron el racismo, incluso dentro de la Casa Blanca. (AP)

(Retirado do "Granma" jornal de Cuba.)

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 A posse de Obama é para grande parte do mundo uma esperança de novos tempos. Só esse fato já mostra o que o "Grande Império" do Ocidente é capaz de causar, para o bem e para o mau, nos demais povos. É claro que não podemos esquecer que é um fato inédito a chegada de um negro na Presidência dos Estados Unidos, país em que, para se por fim a escravidão, enfrentou uma Guerra Civil que, se não me falha a memória, morreram mais de 1 milhão de americanos. Por outro lado, tal com aqui com a Lei Aurea, a libertação dos negros não significou muita coisa. Eles continuaram sendo discriminados e excluidos dos benefícios da grande acumulação capitalista da América do Norte. E até hoje, ainda há uma "elite branca" que não aceita a integração dos negros, dos latinos, enfim, de todos aqueles que essa "gente"  não reconhece como sendo seus "iguais". Não devemos esquecer que o nosso memorável Monteriro Lobato, há muitos anos atra´s, escreveu uma ficção em que falava da eleição de um negro para Presidente dos Estados Unidos da América. A esperança do povo americano e dos demais povos do mundo, com relação a Obama, se dá entre outras coisas, peo fato de seu governo suceder o que foi, com certeza, o maior desastre da história mundial, a Presidência do George Bush. O seu período de governo foi eivado de desacertos com consequências graves para todo o mundo. Paa citar o maior deles e que Obama terá que enfrentar, o conflito do Iraque que, entre outras coisas, sancionou para o mundo todo a pratica da tortura como forma de conseguir confissões de prisioneiros.

Obama vem com todo o carisma de quem sabe mexer com a mídia e com os "mitos" contemporâneos americanos e mundiais. Primeiro, convoca a nação para uma mudança. Com o estouro da crise financeira, transforma essa mudança, de governo e econômica, para também de atitude, o povo deve ser mais solidário e coletivista na procura da solução de seus problemas. Para a posse refez o trajeto de seu ídolo Lincon. Assistiu um show na esplanada onde Martin Luther King disse "ter um sonho", do qual, diretamente, Obama se coloca como sendo o seu significado maior. No discurso de posse deverá falar dessa esperança que terá que se transformar em ações práticas que tragam soluções para a crise econômica americana e mundial, com consequências neefastas paras as economias nacionais de outros países. Depois terá que enfrentar as duas guerras em andamento: Iraque e Afeganistão. Terá que reverter a imagem de vários povos sobre o povo americano, que na sua grande maioria é do tipo "americano go home!" Não querendo ser pessimista, vale a pena ficarmos com a "orelha" em pé com o seu governo. É tudo muito romântico, convidar inimigos para governar junto, falar em esperança e coletivismo, mas não devemos esquecer que: o racismo americano continua de pé; a cultura do povo americano é de olhar para o próprio umbigo e isso não vai mudar de uma hora para outra; se os eleitores não verem resultado no seu "bolso" começaram a "perder a esperança" e a se opor a Obama que, nesse momento, como dizia na campanha Cain, voltará a ser um "Queniano, muçulmano e adepto dos radicalóides dos anos 60", etc. e tal. No entanto vale a pena torcer para que de fato esteja em andamento uma "mudança" no "unaite estates ofe américa", porque, de algma maneira, seria bom para o mundo e para os excluídos de sempre. Merda ai Senhor OBAMA!

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 A MOSTRA DO FOLIAS CONTINUA AGORA EM JANEIRO. PARA MAIORES INFORMAÇÕES TELEFONE:33612223. NO DIA DO ANIVERSÁRIO DE SÃO PAULO SERÁ APRESENTADO "AOS PÉS DE CECÍLIA SANTA" , DOCUMENTÁRIO SOBRE OS DEZ ANOS DE VIDA DO GRUPO E SOBRE O BAIRRO DE SANTA CECÍLIA ONDE ESTÁ LOCALIZADO. É UMA OPORTUNIDADE DE TOM AR CONTATO COM ESSA RICA HISTÓRIA E COM O DOCUMENTÁRIO DIRIGIDO POR ZECA RODRIGUES E COM ROTEIRO DE REINALDO MAIA E ZACA RODRIGUES. COMPAREÇAM!

 

Mostra do Folias 

Programação

18/01 - Barracão Teatro - Espetáculo  "Circo do Só Eu" 

as 16:30hs

Muitas são as confusões e atrapalhações deste palhaço durante o esforço imensurável de realizar sozinho o espetáculo de uma companhia inteira.

 25/01 - Cia São Jorge de Variedades - Espetáculo "O Santo Guerreiro" com participação do Folias

às 16:30hs

"O Santo Guerreiro e o Herói Desajustado" é o primeiro espetáculo de rua da Cia. São Jorge de Variedades, que promove a fusão entre o clássico da literatura universal Dom Quixote de La Mancha com a tradição popular brasileira. É um espetáculo carnavalesco com a história do incrível encontro entre Quixote e São Jorge Guerreiro, com o objetivo de refletir sobre o sentido do herói nos dias de hoje na grande metrópole.

 01/02 - Brava Companhia - Espetáculo "A Brava"

às 16:30hs

Um espetáculo da Brava Companhia inspirado na história de Joana d'Arc e sobre a história do grupo.

 08/02 - Vento Forte - espetáculo "As 4 Chaves"

às 16:30hs

A peça fala da realização de desejos e sentimentos de quatro personagens. Os desejos que são realizados pelos atores e público são roubados por um ladrão e trancados em um baú com quatro chaves, que são escondidas. A partir daí, inicia-se uma viagem mágica em busca das chaves, vasculhando o centro da terra, a fronteira da noite e do dia, o fundo do mar e as nuvens do céu, até as chaves serem encontradas.

 19/01 e 08/02 - Caixa de Imagens - com a Intervenção Urbana "Travessia"

ás 15h

Espetáculo-performance-itinerante que apresenta dois andarilhos, que ora, com teatro de animação, ora plantando, ora distribuindo flores, ora espalhando poesia, ora entoando canções, mostram o quanto o percorrer do caminho é tão importante quanto o partir e o chegar.

O trabalho cênico de cunho intimista e dentro do teatro de animação desenvolvido pelo Grupo fundamenta a pesquisa corporal dos movimentos e gestos dos atores buscando a delicadeza das relações humanas.

 25/01 - CINEMA-  Apresentação do longa do Folias  "Ao Pé de Cecília Santa"

ás 20hs

Em comemoração ao aniversário da cidade de São Paulo, o filme que mostra o Folias e o Bairro de Sta. Cecilia.

Traga sua cadeira ou seu banquinho.

 GALPÃO DO FOLIAS

RUA ANA CINTRA, 213

3361.2223

3333.2837

 



Escrito por maiafolias às 10h14 AM
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Terrorismo de Estado

Há que se denunciar o terrorismo "facista"de Estado que Israel realiza com seu ataque a faixa de Gaza. Nada pode justificar o sacrifício de civis, principalmente crianças, para se implantar a sua visão autoritária. Essa atitude só é explicada pela cumplicidade daqueles que permanecem calados diante de tanta violência e arbitrariedade. O estado belicista de direita de Israel precisa ser contido na sua soberba de acreditar que é o "grande exercito" interventor e que pode fazer e desfazer com a vida de "outros" para atingir seus objetivos políticos espúrios. Nada poderá justificar esses ataques. Mesmo que fosse para a defesa da população israelita, porque o masacre indiscrimado dos civis? O ataque indiscriminado, por exemplo, a Escola da ONU, com a alegação de ali se encontrar terroristas? E o que pode construir, para o futuro, tamanha arbitrariedade e violência?

O mundo, apesar da pretensa mobilidade diplomática da União Européia, do próprio Brasil, é tudo conversa para boi dormir. Acaso quando o senhor Bush disse ter armas quimicas no Iraque, país do "eixo do mal", como assim ele denominou os países que apoiam o terrorismo,  ele não fez uma intervenção militar? E porque Israel não é um país terrorista? Qual critério determina que um é e o outro nâo? Será porque os Judeus americanos são os grandes financiadores da economia americana e de seus políticos? O fato é que o que estamos a assistir na faixa de Gaza, atualmente, não é muito diferente da limpeza étnica feita pelo Mislovic na Sérvia. Além de ser uma brutal intervenção em outro país, em outro povo, como se eles tivessem a destinação de serem escravos. Essa barbaridade tem que ser condenada por todos aqueles que são contra a violência e a intervenção facista de um país em outro, independente das alegações políticas que possam ser dadas. Devemos condenar, não o povo Judeu, mas os governantes facistas que não querem reconhecer a liberdade dos seus vizinho palestinos.

abaixo o terrorismo de estado de Israel contra o povo Palestino!

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Boicote a Israel para acabar com violência em Gaza

Chegou o momento. Há muito que chegou. A melhor estratégia para pôr fim à cada vez mais sangrenta ocupação é converter Israel em objetivo do tipo de movimento mundial que ajudou a pôr fim ao regime do apartheid na África do Sul. O artigo é da jornalista e escritora canadense, Naomi Klein.

Naomi Klein

Em julho de 2005, uma grande coalizão de grupos palestinos começou a traçar planos para fazer justamente isso. Fizeram um chamamento às "pessoas de consciência de todo o mundo para impor amplos boicotes e adotar contra Israel iniciativas de "desinvestimento" similares às adotadas contra a África do Sul na época do apartheid. Nasceu assim a campanha "Boicote, Desinvestimento e Sanções" (BDS).

Cada dia mais que Israel arrasa Gaza, mais pessoas aderem à causa do BDS e as declarações de cessar-fogo não diminuem o ritmo desse movimento. A campanha de boicote a Israel está começando a receber apoios inclusive entre os israelenses. Em pleno ataque a Gaza, cerca de 500 israelenses, dezenas deles conhecidos artistas e intelectuais, enviaram uma carta aos embaixadores estrangeiros sediados em Israel. Nela, faziam um chamamento para "a imediata adoção de medidas restritivas e sanções" e estabeleciam um claro paralelismo com a luta anti-apartheid. "O boicote contra a África do Sul foi eficaz, mas Israel vem sendo tratada com luvas de seda (...) Este apoio internacional deve cessar".

No entanto, muitos ainda não puderam caminhar nesta direção. As razões são complexas, emocionais e compreensíveis. E, simplesmente, não são suficientemente boas. As sanções econômicas são as ferramentas mais eficazes do arsenal da não-violência. Renunciar a elas beira a cumplicidade ativa. (Agência Carta Maior 12/01/2009) 

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 No início do ano não se tem muitas notícias na área cultural. As estréias ainda são poucas e os grupos voltam a trabalhar ainda em pequeno número. a grande noticia é a estréia dia 29 de janeiro de "Querô", trabalho realizado com jovens artistas dentro do Folias, com a participação na montagem de mais de 40 adolescentes e, contando todas as oficinas oferecidas, creio que mais de 100. Querô é um texto do Plínio Marcos que conta a história dos nossos milhares de jovens sem futuro das periferias afora que, sem perspectiva acabam entrando no mundo do crime. A importância desse projeto do Folias, realizado com os recursos da Lei de Fomento para o Teatro da cidade de São Paulo, está na formação de quadros com uma visão critica do fazer cênico nas suas diferentes áreas de criação: cenografia, figurino, direção musical, direção de atores e dramaturgia. É ver para conferir!

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Com a posse dos novos prefeitos uma notícia boa para o movimento cultural do ABC: em São Bernardo foi empossado como Secretario de Cultura o Celso Frateschi. O Celso fez um excelente trabalho como Secretario da Cultura em Santo André para lembrarmos uma outra atuação sua nas cidades da região. E acredito que agora repetirá essa atuação. Para o estado de São Paulo é importante que esse grande centro industrial, onde nasceu o sindicalismo dos anos 80 que veio transformar a história do país, é importante que tenha uma vida cultural ativa. Lá atrás, nos anos 40 e 50, São Bernardo teve a primeira tentativa de criar um parque industrial cinematografico com a criação pelo Zampari da Vera Cruz. Depois disso, lembro-me que nos anos 70 havia um vigoroso movimento teatral, que foi capitaneado pelo Petrin, Sonia Guedes, Portela e outros, com produçõe significativas para o teatro paulista. ntáo, desde esse blog, vai aqui nossa boa vinda e os desejos de boa sorte e gestão para a nova administração de São Bernardo. 



Escrito por maiafolias às 10h08 AM
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Novo Ano e Novos Problemas?

Estou retomando o blog depois de duas semanas fora do ar. Afinal, há que se trabalhar sem perder o direito ao ócio. E olha que foram apenas dez dias de ócio junto a paisagem bucólica do interior de São Paulo, onde não se fala mais "revorver", mas em relação ao passado a vida ficou muito restrita e confinada as ambições materialistas dos indivíduos. Isso para não falar que a vida cultural é um deserto sem nenhuma possibilidade de se encontrar um oasis. Mas o descanço foi o de "rever a natureza" bruta, cercada de animais silvestres, que ainda neste "paraíso" é possível se ver sem ter que ir ao Zoológico. Mas vou parar por aqui porque isso está parecendo diário de férias, aqueles que escrevíamos nos primeiros dias de aula.

Quando se inicia um ano novo nossas "esperanças" querem estar renovadas. É um sentimento que independe de nossa vontade. É como se tudo fosse "zerado" e a vida começasse de novo, sem necessariamente ter que se arcar com as coisas do passado. Mas sabemos que não é assim. Esse interregno que acontece, nestas festas que convencionalmente chamamos de final de ano, onde se renovam as crenças cristãs com o nascimento do Menino Jesus, permeada de refeições lautas e excessivas, serve para encontrarmos os parentes e para revermos na televisão as retrospectivas noticiosas. E ai voltamos, geralmente no dia 5 de janeiro, à vida normal e um novo ciclo anual de 365 dias. Se há uma interrupção psiquíca não há uma interrupção dos problemas concretos da Humanidade. Por sinal, há coisa que já se tornaram rotina. Por exemplo: todo final do ano Israel bombardea a Palestina, como que a querer provar paras as criancinhas que "Papai Noel" tem helicóptero e solta bastante bombas letais. É uma santa ignorância.

Outra coisa que se repete a cada dois anos no dia 01 de janeiro é a posse de políticos: municipais e ou estaduais e federais. Esse ano foi a vez dos municipais. Novos prefeitos e vereadores tomaram posse. Não sei se era por estar isolado no mato, mas não senti, por parte da população, nenhuma comoção ou esperança com a posse dos novos prefeitos eleitos. Até parece que tudo não passava das próprias festas de final de ano, sem novidade nenhuma. É que, de fato, a política saiu de nossas vidas. Quer seja porque os Partidos não representam  mais nada, todos com rótulos diferentes mas com conteúdos idênticos, quer seja porque a "política" anda desacreditada como instrumento de resolver os problemas sociais. Por exemplo, todo trabalhador "normal" voltam ao trabalho nos primeiros dias de janeiro, mas os políticos, em Brasilia, só retornam ao seu "ócio" bem remunerado em Março. Não é legal isso? Se vocês prestarem atenção vão ver que é nesse período que as coisas andam mais rápidas no Brasil. É que a gente não se deu conta ainda que não necessita "deles" , assim como estão e agem para resolver nossos problemas, quando dermos conta disso vamos mandá-los catar coquinho na baixada do Rio São Francisco.

Esse ano temos uma novidade importante, o que não quer dizer que vá mudar alguma coisa em nossas vidas. Vai tomar posse como Presidente do Império um "niger" ou, melhor dizendo, um afrodescendente. Ou seja, o descedente de escravo chega ao papel de maior "senhor" depois de mais de duzentos anos de sua libertação, no maior e mais poderoso país do planeta. Por sinal, as eleições dos Estados Unidos do ano passado me fizeram muito lembrar do filme de Spielberg - "Querra nas Estrelas" - quando da eleição do senado planetário. Parecia que as eleições nacional dos Estados Unidos era a eleição do Presidente do Planeta, será que não era mesmo? O fato de um negro chegar ao poder no país onde os conflitos raciais tem contornos de violência bárbara e, em muitos estados ainda isso acontece, como em nenhum outro país, por si já é algo positivo. Basta lembrar que a Klu Klux Khan ainda existe e é tolerada pelas leis americanas. Esse eleição deu um tanto de esperança aos povos de diferentes países em todo o mundo. Inclusive no continente Africano, esse continente abandonado pelos seus ex-exploradores a Deus dará. No inconsciente coletivo do continente a eleição de Obama era a redenção de todos os martíres do escravismos mundial. Questão que se no papel está resolvida, de fato, ainda é um grande problema para vários povos que possuem trabalhadores escravos. O Brasil, como sabemos, apesar da Lei aurea, ainda possui trabalhadores escravos. Só no ano passado foram libertados mais de 2000. Vamos esperar, sem muitas ilusões, que Obama seja uma pequena luz no final do tunel. Não para resolver todos os problemas do seu país e do mundo, coisa que só acredita quem acredita em Cegonha, mas para que os americanos mudem um milésimo apenas sua visão tosca da vida e do planeta. Creio que mesmo professando ser um "americano americanista", como fez em sua posse, seu inconsciente o fará lembrar das planíces exploradas e maltratadas do Quenia. E quem sabe, esse inconsciente subdesenvolvido e maltratado, não dê um novo agir para o tratamento das questões políticas mundiais e nacional? E uma primeira atitude poderia ser a de rever essa barbaridade que é o cerco econômico e político a Cuba. De tão atrasado que é essa política, já passou da conta. É hora dos amercianos reconhecerem que Cuba não é Fidel Castro, mas um país que fez uma revolução e que sabe muito bem qual é a sua identidade.

E por estas banda do mundão, vasto mundão, que se chamasse Raimundo seria uma rima e não uma solução, as coisa parecem que vão continuar do mesmo modo. O que no início foi anunciado como uma "pequenas marola" que chegaria por aqui, a crise econômica mundial, já começou a fazer as primeiras vítimas. Tem fábrica que recebeu subsídio para enfrentar a crise, mas está despedindo seus empregados. Ou seja, o Estado salva o Capital e o Capital "fode" o Trabalho, como sempre foi na história do homem, desde que o homem é homem. Isso não quer dizer que as coisas não possam se transformar. Para isso é somente necessário que o Homem tome consciência de suas verdadeiras potencialidades para a solidariedade e a justiça. Por falar em mudança, vocês leram sobre os arrastões de 1.500 pessoas que ocorreu na baixada Santista no final do ano? Essa multidão saiu ruas aforas depredando e saqueando o que encontrava, sem nenhum motivo aparente. Será que seria uma espécie de "loucura coletiva"? Ou, uma forma de rebeldia inconsciente latente contra tudo e contra todos? Mas o fato é que os "manos" ficarão loucão, loucão! Vamos torcer para que essa mania não pegue. O fato é que tudo isso pode estar acontecendo porque essa população vê, dia após dia, que o Estado não serve para nada. Quando não é ausente e não cumpre com suas obrigações, ele ainda comete mais injustiças contra aqueles que dependem dele - os excluídos. Quando a gente desacredita de tudo entra em "pânico". Acredito que as "otoridades" deveriam prestar mais atenção a esses fenômenos porque pode ser um sintoma de uma doença social grave. Pode ser um "furúnculo" prestes a estourar.

Só para não esquecermos do abandono do povo em relação ao Estado vou citar matéria que saiu na grande imprensa:

 

"Uma bebê prematura foi dada como morta durante o parto, na última sexta, e, depois de passar quatro horas sozinha na sala cirúrgica, foi vista se mexendo por uma faxineira que a recolheria com o lixo hospitalar. A família tinha registrado o óbito quando soube que ela estava viva. O parto ocorreu às 18h25, e a criança foi achada pela funcionária às 22h30."

Como pode acontecer uma coisa dessas em um hospital público? Qual será a responsabilidade dos médicos que deixaram isso acontecer? Qual foi a formação escolar desses profissionais que cometeram uma barbaridade dessas? Quem será responsabilizado pelo fato ocorrido? Será que dará em alguma coisa o processo administrativo que abriram para apurar o caso ou tudo acabará em impunidade como no caso do Juiz? Eu sei que é horrível começar o ano com uma notícia dessas, mas é importante para a gente não esquecer em que país vivemos.

Em relação ao mundo da Cultura vamos esperar que esse ano as coisas corram mais democraticamente e efetivamente. É claro que no que diz respeito ao Teatro nos encontramos desmobilizados. Isso nos fragiliza muito. As instituições sentem-se sem oposição e isso lhes dá a garantia de que suas ações ou não-ações não serão cobradas. Quando digo oposição, quero dizer que, quem governa necessita ter o parâmetro da Sociedade para averiguar se o que está realizando tem sentido ou não. Se isso não acontece, corre-se o risco de cair numa imobilidade total ou num autoritarismo que acaba prejudicando a vida social. Na área teatral faz muitos anos que não há um grande Encontro Nacional, entre os criadores/fazedores, para se colocar em panos limpos a realidade concreta da criação. Não há um diagnóstico concreto sobre o fazer teatral. E digo isso mesmo sabendo que há instituições fazendo pesquisas numéricas. Só que o que se necessita conversar, entre os ditos empresários e os não empresários, é sobre a realidade real do fazer teatral nacional. Por não se ter essa conversa franca, cada lado fica puxando a brasa para sua sardinha e o "natimorto teatro nacional" fica a mínguas. Não se deve ter medo dos conflitos. Há que enfrentá-los se prende resolvê-los. Se isso não for feito a primeira e mais importante consequências será para os cidadãos que ficarão sem esse "bem simbólico" importante para a compreensão do seu lugar na história e no país. Mesmo durante os anos de chumbo nunca a área teatral ficou tanto tempo sem conversar entre si. E olha que aqueles dias foram dias dificeis para toda a sociedade. Mas como dizia Otto Lara Resende: parece que a gente se une somente no cancer!

Vou parando por aqui. Para quem ficou sem escrever quinze dias até que escrevi demais. Então, FELIZ 2009 para todos. E vamos em frente que atrás tem gente.  

    



Escrito por maiafolias às 11h49 AM
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