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Matraca Cultural


Novo Ano e Novos Problemas?

Estou retomando o blog depois de duas semanas fora do ar. Afinal, há que se trabalhar sem perder o direito ao ócio. E olha que foram apenas dez dias de ócio junto a paisagem bucólica do interior de São Paulo, onde não se fala mais "revorver", mas em relação ao passado a vida ficou muito restrita e confinada as ambições materialistas dos indivíduos. Isso para não falar que a vida cultural é um deserto sem nenhuma possibilidade de se encontrar um oasis. Mas o descanço foi o de "rever a natureza" bruta, cercada de animais silvestres, que ainda neste "paraíso" é possível se ver sem ter que ir ao Zoológico. Mas vou parar por aqui porque isso está parecendo diário de férias, aqueles que escrevíamos nos primeiros dias de aula.

Quando se inicia um ano novo nossas "esperanças" querem estar renovadas. É um sentimento que independe de nossa vontade. É como se tudo fosse "zerado" e a vida começasse de novo, sem necessariamente ter que se arcar com as coisas do passado. Mas sabemos que não é assim. Esse interregno que acontece, nestas festas que convencionalmente chamamos de final de ano, onde se renovam as crenças cristãs com o nascimento do Menino Jesus, permeada de refeições lautas e excessivas, serve para encontrarmos os parentes e para revermos na televisão as retrospectivas noticiosas. E ai voltamos, geralmente no dia 5 de janeiro, à vida normal e um novo ciclo anual de 365 dias. Se há uma interrupção psiquíca não há uma interrupção dos problemas concretos da Humanidade. Por sinal, há coisa que já se tornaram rotina. Por exemplo: todo final do ano Israel bombardea a Palestina, como que a querer provar paras as criancinhas que "Papai Noel" tem helicóptero e solta bastante bombas letais. É uma santa ignorância.

Outra coisa que se repete a cada dois anos no dia 01 de janeiro é a posse de políticos: municipais e ou estaduais e federais. Esse ano foi a vez dos municipais. Novos prefeitos e vereadores tomaram posse. Não sei se era por estar isolado no mato, mas não senti, por parte da população, nenhuma comoção ou esperança com a posse dos novos prefeitos eleitos. Até parece que tudo não passava das próprias festas de final de ano, sem novidade nenhuma. É que, de fato, a política saiu de nossas vidas. Quer seja porque os Partidos não representam  mais nada, todos com rótulos diferentes mas com conteúdos idênticos, quer seja porque a "política" anda desacreditada como instrumento de resolver os problemas sociais. Por exemplo, todo trabalhador "normal" voltam ao trabalho nos primeiros dias de janeiro, mas os políticos, em Brasilia, só retornam ao seu "ócio" bem remunerado em Março. Não é legal isso? Se vocês prestarem atenção vão ver que é nesse período que as coisas andam mais rápidas no Brasil. É que a gente não se deu conta ainda que não necessita "deles" , assim como estão e agem para resolver nossos problemas, quando dermos conta disso vamos mandá-los catar coquinho na baixada do Rio São Francisco.

Esse ano temos uma novidade importante, o que não quer dizer que vá mudar alguma coisa em nossas vidas. Vai tomar posse como Presidente do Império um "niger" ou, melhor dizendo, um afrodescendente. Ou seja, o descedente de escravo chega ao papel de maior "senhor" depois de mais de duzentos anos de sua libertação, no maior e mais poderoso país do planeta. Por sinal, as eleições dos Estados Unidos do ano passado me fizeram muito lembrar do filme de Spielberg - "Querra nas Estrelas" - quando da eleição do senado planetário. Parecia que as eleições nacional dos Estados Unidos era a eleição do Presidente do Planeta, será que não era mesmo? O fato de um negro chegar ao poder no país onde os conflitos raciais tem contornos de violência bárbara e, em muitos estados ainda isso acontece, como em nenhum outro país, por si já é algo positivo. Basta lembrar que a Klu Klux Khan ainda existe e é tolerada pelas leis americanas. Esse eleição deu um tanto de esperança aos povos de diferentes países em todo o mundo. Inclusive no continente Africano, esse continente abandonado pelos seus ex-exploradores a Deus dará. No inconsciente coletivo do continente a eleição de Obama era a redenção de todos os martíres do escravismos mundial. Questão que se no papel está resolvida, de fato, ainda é um grande problema para vários povos que possuem trabalhadores escravos. O Brasil, como sabemos, apesar da Lei aurea, ainda possui trabalhadores escravos. Só no ano passado foram libertados mais de 2000. Vamos esperar, sem muitas ilusões, que Obama seja uma pequena luz no final do tunel. Não para resolver todos os problemas do seu país e do mundo, coisa que só acredita quem acredita em Cegonha, mas para que os americanos mudem um milésimo apenas sua visão tosca da vida e do planeta. Creio que mesmo professando ser um "americano americanista", como fez em sua posse, seu inconsciente o fará lembrar das planíces exploradas e maltratadas do Quenia. E quem sabe, esse inconsciente subdesenvolvido e maltratado, não dê um novo agir para o tratamento das questões políticas mundiais e nacional? E uma primeira atitude poderia ser a de rever essa barbaridade que é o cerco econômico e político a Cuba. De tão atrasado que é essa política, já passou da conta. É hora dos amercianos reconhecerem que Cuba não é Fidel Castro, mas um país que fez uma revolução e que sabe muito bem qual é a sua identidade.

E por estas banda do mundão, vasto mundão, que se chamasse Raimundo seria uma rima e não uma solução, as coisa parecem que vão continuar do mesmo modo. O que no início foi anunciado como uma "pequenas marola" que chegaria por aqui, a crise econômica mundial, já começou a fazer as primeiras vítimas. Tem fábrica que recebeu subsídio para enfrentar a crise, mas está despedindo seus empregados. Ou seja, o Estado salva o Capital e o Capital "fode" o Trabalho, como sempre foi na história do homem, desde que o homem é homem. Isso não quer dizer que as coisas não possam se transformar. Para isso é somente necessário que o Homem tome consciência de suas verdadeiras potencialidades para a solidariedade e a justiça. Por falar em mudança, vocês leram sobre os arrastões de 1.500 pessoas que ocorreu na baixada Santista no final do ano? Essa multidão saiu ruas aforas depredando e saqueando o que encontrava, sem nenhum motivo aparente. Será que seria uma espécie de "loucura coletiva"? Ou, uma forma de rebeldia inconsciente latente contra tudo e contra todos? Mas o fato é que os "manos" ficarão loucão, loucão! Vamos torcer para que essa mania não pegue. O fato é que tudo isso pode estar acontecendo porque essa população vê, dia após dia, que o Estado não serve para nada. Quando não é ausente e não cumpre com suas obrigações, ele ainda comete mais injustiças contra aqueles que dependem dele - os excluídos. Quando a gente desacredita de tudo entra em "pânico". Acredito que as "otoridades" deveriam prestar mais atenção a esses fenômenos porque pode ser um sintoma de uma doença social grave. Pode ser um "furúnculo" prestes a estourar.

Só para não esquecermos do abandono do povo em relação ao Estado vou citar matéria que saiu na grande imprensa:

 

"Uma bebê prematura foi dada como morta durante o parto, na última sexta, e, depois de passar quatro horas sozinha na sala cirúrgica, foi vista se mexendo por uma faxineira que a recolheria com o lixo hospitalar. A família tinha registrado o óbito quando soube que ela estava viva. O parto ocorreu às 18h25, e a criança foi achada pela funcionária às 22h30."

Como pode acontecer uma coisa dessas em um hospital público? Qual será a responsabilidade dos médicos que deixaram isso acontecer? Qual foi a formação escolar desses profissionais que cometeram uma barbaridade dessas? Quem será responsabilizado pelo fato ocorrido? Será que dará em alguma coisa o processo administrativo que abriram para apurar o caso ou tudo acabará em impunidade como no caso do Juiz? Eu sei que é horrível começar o ano com uma notícia dessas, mas é importante para a gente não esquecer em que país vivemos.

Em relação ao mundo da Cultura vamos esperar que esse ano as coisas corram mais democraticamente e efetivamente. É claro que no que diz respeito ao Teatro nos encontramos desmobilizados. Isso nos fragiliza muito. As instituições sentem-se sem oposição e isso lhes dá a garantia de que suas ações ou não-ações não serão cobradas. Quando digo oposição, quero dizer que, quem governa necessita ter o parâmetro da Sociedade para averiguar se o que está realizando tem sentido ou não. Se isso não acontece, corre-se o risco de cair numa imobilidade total ou num autoritarismo que acaba prejudicando a vida social. Na área teatral faz muitos anos que não há um grande Encontro Nacional, entre os criadores/fazedores, para se colocar em panos limpos a realidade concreta da criação. Não há um diagnóstico concreto sobre o fazer teatral. E digo isso mesmo sabendo que há instituições fazendo pesquisas numéricas. Só que o que se necessita conversar, entre os ditos empresários e os não empresários, é sobre a realidade real do fazer teatral nacional. Por não se ter essa conversa franca, cada lado fica puxando a brasa para sua sardinha e o "natimorto teatro nacional" fica a mínguas. Não se deve ter medo dos conflitos. Há que enfrentá-los se prende resolvê-los. Se isso não for feito a primeira e mais importante consequências será para os cidadãos que ficarão sem esse "bem simbólico" importante para a compreensão do seu lugar na história e no país. Mesmo durante os anos de chumbo nunca a área teatral ficou tanto tempo sem conversar entre si. E olha que aqueles dias foram dias dificeis para toda a sociedade. Mas como dizia Otto Lara Resende: parece que a gente se une somente no cancer!

Vou parando por aqui. Para quem ficou sem escrever quinze dias até que escrevi demais. Então, FELIZ 2009 para todos. E vamos em frente que atrás tem gente.  

    



Escrito por maiafolias às 11h49 AM
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