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A Direita Está Mostrando a Sua Cara

"Mas, se as chamadas "ditabrandas" -caso do Brasil entre 1964 e 1985- partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça-, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os controles democráticos por dentro, paulatinamente." (Editorial da Folha de São Paulo de 17/02/09)

O editorial da Folha deixa claro a quem quer ver como a nossa direita está insatisfeita com os caminhos da política na América Latina e, particularmente, no Brasil. O editorial acima, com a nota sobre a dirtadura brasileira, quer mostrar ao leitor a sua visão da história do Brasil e, ao mesmo tempo, demonstrar seu saudosismo da época em que os Militares comandaram esse país e impuseram um regime arbitrário, violento e injusto, que até hoje tem consequência para toda a nação e para os brasileriros. Não devemos esquecer que as eleições para 2010 já teve início com o lançamento da candidatura da Dilma pelo Presidente Lula. Vendo uma perspectiva sombria para os interesses do Capital, a imprensa burguesa e facista, como deixa claro o editorial, começa a se mobilizar para criar um clima desfavorável a manifestação da vontade popular. Hugo Chavez só é um mote que eles pegaram, como pode ser o Evo Morales, o Rafael Correa, qualquer um que bateu de frente com os interesses liberais na América Latina e colocou em risco os privilégios excessivos do Capital. Não devemos esquecer que a Folha gosta de posar de orgão "muderno e democrático", praticando um jornalismo imparcial e a favor da liberdade de expressão. Quando lhe é conveniente ela posa de defensora das liberdades, quando não relembra os tempos de chumbo da ditadura, quando, talvez, tenha tido uma vida feliz e cheia de privilégios. Abaixo publico o Manifesto dos intelectuais contra o editorial e o ataque feito a dois pensadores brasileiros que se manifestaram, por carta, contra a barbaridade jornalística em questão, mas vale frisar que o Manifesto ainda é brando e cheio de pudores para ser contra algo nefasto a vida política, cultural e social do Brasil.

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REPÚDIO E SOLIDARIEDADE

"Ante a viva lembrança da dura e permanente violência desencadeada pelo regime militar de 1964, os abaixo-assinados manifestam seu mais firme e veemente repúdio à arbitrária e inverídica “revisão histórica” contida no editorial da Folha de S. Paulo do dia 17 de fevereiro último. Ao denominar “ditabranda” o regime político vigente no Brasil de 1964 a 1985, a direção editorial do jornal insulta e avilta a memória dos muitos brasileiros e brasileiras que lutaram pela redemocratização do país.

Perseguições, prisões iníquas, torturas, assassinatos, suicídios forjados e execuções sumárias foram crimes corriqueiramente praticados pela ditadura militar no período mais longo e sombrio da história política brasileira. O estelionato semântico manifesto pelo neologismo “ditabranda” é, a rigor, uma fraudulenta revisão histórica forjada por uma minoria que se beneficiou da suspensão das liberdades e direitos democráticos no pós-1964.

Repudiamos, de forma igualmente firme e contundente, a “Nota de redação”, publicada pelo jornal em 20 de fevereiro (p. 3) em resposta às cartas enviadas à seção “Painel do Leitor” pelos professores Maria Victoria de Mesquita Benevides e Fábio Konder Comparato. Sem razões ou argumentos, a Folha de S. Paulo perpetrou ataques ignominiosos, arbitrários e irresponsáveis à atuação desses dois combativos acadêmicos e intelectuais brasileiros. Assim, vimos manifestar-lhes nosso irrestrito apoio e solidariedade ante às insólitas críticas pessoais e políticas contidas na infamante nota da direção editorial do jornal.

Pela luta pertinaz e consequente em defesa dos direitos humanos, Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato merecem o reconhecimento e o respeito de todo o povo brasileiro"

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 Ditadura
"Golpe de Estado dado por militares derrubando um governo eleito democraticamente, cassação de representantes eleitos pelo povo, fechamento do Congresso, cancelamento de eleições, cassação e exílio de professores universitários, suspensão do instituto do habeas corpus, tortura e morte de dezenas, quiçá de centenas, de opositores que não se opunham ao regime pelas armas (Vladimir Herzog, Manuel Fiel Filho, por exemplo) e tantos outros muitos desmandos e violações do Estado de Direito.
Li no editorial da Folha de hoje que isso consta entre "as chamadas ditabrandas -caso do Brasil entre 1964 e 1985" (sic). Termo este que jamais havia visto ser usado.
A partir de que ponto uma "ditabranda", um neologismo detestável e inverídico, vira o que de fato é? Quantos mortos, quantos desaparecidos e quantos expatriados são necessários para uma "ditabranda" ser chamada de ditadura? O que acontece com este jornal?
É a "novilíngua"?
Lamentável, mas profundamente lamentável mesmo, especialmente para quem viveu e enterrou seus mortos naqueles anos de chumbo.
É um tapa na cara da história da nação e uma vergonha para este diário."
SERGIO PINHEIRO LOPES (São Paulo, SP)

Nota da Redação - Na comparação com outros regimes instalados na região no período, a ditadura brasileira apresentou níveis baixos de violência política e institucional.

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Prestaram atenção a Nota da Redação colocada na carta do leitor publicada acima? Creio que é para não deixar dúvidas da opção política do jornalismo praticado pela Folha de São Paulo. O mínimo que poderia ser feito pelos intelectuais desse país é não aceitar mais publicarem seus artigos e ou entrevistas nesse jornalzinho. Parece uma posição radical, mas se não formos radicais agora nada nos adiantará sermos quando tivermos pela frente, estruturada e no poder, essas forças políticas autoritárias e que detêm o Capital no Brasil. Estão sinalizando que não se conformam em ver outro resultado eleitoral que venhas a contestar seus mandos e desmandos. Quem quer ver que veja, mas não é outra coisa o que um editorial como esse esta a assinalar. Ou as posições políticas expressas pelo Ministro do Supremo, o senhor Gilmar Mendes, que, conforme a matéria de conhecida revista semanal, não tem nenhuma condição de ser um moralista, um justiceiro, com tudo que tem de rabo preso na história, está a dizer? Mas ele tem deixado claro as suas posições políticas, como por exemplo, contra a movimentação do MST. E que resposta está dando a sociedade a esses disparates verborrágicos que se tornarão, com passar do tempo, sem sofrer reação, ações de desmandos novamente?

O próprio governo não tem se manifestado contra essas atitudes de acinte e de enfrentamento político. Onde está o Ministério da Justiça que não pede explicações para a Folha sobre a tal das "ditabrandas"? Ou o governo concorda que a ditadura militar no país foi algo suave e sem muita consequência para a nação? Onde estão os Partidos Políticos ( se é que ainda há algum) que não se manifestam contra uma atitude como essa, estão todos pensando nas urnas em 2010? Acreditam que por acaso, enfrentando a Folha agora ela não dará cobertura a eles nas eleições vindouras e se ficarem calados ela dará? Serão tão inocentes assim? E os políticos? Onde andam numa hora dessas? Será que todos são concordes com a opinião do Jornal? E a CUT, será que não tem nada a dizer?

E aqui cabe um grande parenteses. E a nossa cultura a quantas anda? É inacreditável como está sem reação as criações culturais nas diferentes linguagens artísticas.Preocupadas com a própria sobrevivência, os fazedores/criadores culturais estão quietos e conformados com os caminhos que toma a vida política nacional. Quando se pega um Guia de final de semana, com as progamações, é de causar perplexidade o que se está montando e estreando em São Paulo. Quem vê de fora, pensa que tudo anda as mil maravilhas, que não acontece nada abaixo do Equador. Numa luta de boxe, quando isso acontece, se diz que o lutador está meio grogue e se não tomar cuidado toma outro soco do adversário e ai cai nocauteado. Mas se o gongo soar é capaz que venha a reagir. Fico pensando, será que estamos necessitando do gongo pra poder esboçar uma reação do mundo cultural com tudo que está acontecendo? Ou já estamos nocauteados e prestes a sair da lona? No entanto a diretona, que se locupreta com a Lei Rouanet, vem batendo sem para no Ministro da Cultura, que era um aliado, até ontem. Por falara nisso, onde anda o Ministro da Cultura? Ela ainda está em viagens de consulta pelo Brasil? Ou está preparando sua caidiatura para 2010?

Uma luta tem 12 assaltos quando é uma disputa de título. Espero que não estejamos esperando os últimos assaltos para reagir. Nem sempre essa tática dá certo. E para a reação ter a adesão da sociedade será necessário que não cheire golpe eleitoral. Isso já deu no saco da população. Por isso, aviso aos políticos, se for para esboçar uma reação que não seja verdadeira, apenas jogada de marketing como vocês gostam de fazer, permaneçam omissos. Não é hora para isso. E não devemos deixar que a crise financeira venha a ser, mais uma vez, o juiz supremo do que se deve fazer politicamente. Essa apelação já foi feita na ditadura, coisa que a Folha conhece bem. Não tem nada de esperar o bolo crescer para depois dividir, a hora é agora. Não devemos deixar que nos confundam com alianças políticas e reação política de desmandos e autoritarismos. Aliança não deve significar "baixar a guarda para o inimigo". Isso já vem sendo feito há mais de seis anos.

ainda há espaço para a indignação! agir agora para não ter que reagir amanhã.




Escrito por maiafolias às 07h56 PM
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