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Matraca Cultural


A Elite, o Público e o Privado - Olha a direita ai gente!

Deu no "Estado de São Paulo"no dia 05 de março de 2009, em matéria feita por Roberta Pennafort, do Rio de Janeiro: "A criação de uma comissão julgadora para escolher peças a serem encenadas nos teatros da Prefeitura do Rio vem provocando grande discussão entre a classe artística e a nova Secretária de Cultura do Rio de Janeiro, Jandira Freghali. De um lado, os artistas (Soraya Ravenle, Domingos de Oliveira, Barbara Heliodora, Cláudio Boltelho, esses são os artistas cariocas citados e que para o jornalista representa os artistas do Rio no seu todo) bradam que a iniciativa vai burocratizar o processo de produção. E mais: ideologizá-lo, criando um ambiente propício à censura. Já Jandira (olha a intimidade do jornalista com a Secretaria de Cultura, parece exemplo do "homem cordial do Sérgio Buarque de Hollanda) sutenta que se trata de uma forma de democratizar o acesso dos proponentes aos teatros, além de permitir que a secretaria tenha uma visão global da rede, o que permitirá sua ocupação de modo mais eficiente." 

Vamos tentar analisar o que está em jogo nesta questão ou melhor,como gosta o jornalismo "imparcial" , nessa polêmica. O que está em jogo é a velha discussão do que é Privado e do que é Público. Vale lembrar o leitor deste blog que o Prefeito eleito não é nenhm radical, ao contrário, é político a saltar de galho partidário em galho partidário até encontrar o mais conveniente aos seus interesses. Nesse sentido nada tenho para defendê-lo, o que me interessa mesmo é discutir a elite e seus privilégios e os interesses do Estado. Outra coisa a lembrar aos nosso queridos leitores é que um dos Secretários que antecederam a Jandira (veja só que intimidade) foi nada menos nada mais do que o Miguel Falabella, que é quem deve ter colocado os atuais diretores dos teatros municipais. Uma outra Secretaria citada - Helena Severo - é a companheira do ex-ministro da cultura Francisco Weffort, estão lembrados da contribuição que esse senhor deu para a cultura nacional quando era ministro da cultura? É o mesmo que lançou dezenas de livros em parceria com outro grande homem da cultura do PSDB - Márcio de Souza - ex-presidente da FUNARTE. Ou seja, é claro que quando é nomeada uma militante do PC do B, e isto tem que ficar claro para todos, é o primeiro sintoma do pré-conceito de qualquer atitude que a Secretaria vier a tomar, a dita classe artística, que diria o camarada Maurício Tratemberg - "não é classe porque ninguém lhe compra a força de trabalho, exceto aqueles que a vende para as redes televisivas"- coloca a boca no trombone. E nesse sentido a matéria do Estado, que é a favor das políticas de privatização do tucanato, por exemplo, tanto que não fala nada contra a Secretaria do Estado de São Paulo da Cultura estar sendo entregue nas mãos de "OS's" (Organizações Sociais), vai entrevistar aqueles que se beneficiaram das políticas contrárias a da Secretaria Jandira, isto é, das políticas liberais e mercadológicas que a antecederam.     

E o que mais revolta os ditos "artistas cariocas"? O fato de que a Secretaria disse que para distribuir os teatros e realizar as suas programações fará uso de um instrumento democrático que possibilita o acesso a todos os interessados, que é público e tem regras, que é o lançamento de editais e da formação de comissões que julga os contemplados ou não. Ou seja, o corte "ideológico", que a grande intelectual carioca acusa a Secretaria, a Barbara Ninguém Te Adora, é de fazer com que a coisa pública seja pública. Ela está sendo acusada de ter aberto mão da possibilidade de premiar seus apaniguados, aqueles do seu clubinho, de exercer seu nepotismo, para criar uma comissão que julgará os pedidos de ocupação dos teatros municipais. O grande crime da Secretaria Jandira Freghali é ir contra um princípio do liberalismo e da ideologia das elites que dominam a séculos este país e o aparelho de Estado, isto é, de acreditar que a coisa pública deva ser pública. O interessante que essas mesmas pessoas que estão condenando a Secretaria, devem ser os mesmo que gostam de falar em corrupção, em uso da máquina do Estado, que concordam com as opiniões do Juiz Gilmar Mendes, mas que no entando como o juiz gostam de serem privilegiados em se tratando de seus interesses. O que está em discussão são os privilégios da eterna minoria que acha que pode tudo. E isso no Rio de Janeiro deve se restringir aqueles "artistas" que trabalham para a Globo ou frequntam com assiduidade seus corredores.

O que é mais ilustrativo dessa apropriação do público, daquilo que deveria ser de todos por alguns, são os argumentos usados pelos opositores, que acabam compondo uma pela peça de humor negro. Vejamos por exemplo a declaração da dona Barbara Heliodora: "Ela publicou um artigo em que diz acreditar que as novas medidas visam ao "controle ideológico de toda a atividade artística e cultural", tal qual na União Soviética (esqueceram de avisar a essa velha senhora que a União Sovietíca não existe mais, nem a Guerra Fria, a Russia agora é liberal como o Brasil) e na China comunistas. A ingerência do Estado na criação artística e em qualqer atividade cultural é fatal: seu único objetivo é alimentar o público com chavões ideológicos e cortar qualquer possibilidade de obras imaginativas e/ou realmente reflexivas", escreveu."

Como diria Jack,o estripador, vamos por parte e com muita calma nesse andor de barro da dona Barbara. A primeira coisa é sobre o controle ideológico da atividade artística e cultural. Interessante, nunca li nada, nem ouvi uma entrevista em que essa senhora acusasse que entregar a cultura a Lei de Incentivo a Cultura - Lei Rouanet - que depende de um diretor de marketing para captar o recurso que foi autorizado, era entregar a cultura ao controle ideolóico do Capital. Qual a diferença, pergunataria à velha senhora? A diferença querida é que, no poder público todos nós temos a oportunidade de em quatro em quatro anos mudar o controle "ideológico" do aparelho de Estado, quando se tratra do Capital, vide a crise internacional financeira, ninguém regula nada, quando o Estado é chamado a intervir é apenas para pagar a conta. Ou seja, a dona Barbara, admite e cultua a censura praticada pelo Capital, mas lhe cria repulsa uma atitude do Estado que visa apenas, já que a Secretaria não vai determinar o que será produzido, que as produções tenham que se inscrever em um edital. O pior disso tudo, e sempre é possível ficar pior, é que a Secretaria recua e tenta contemporizar com seus opositores, isto é, lhes dá argumentos e ares de "verdade" a uma posição ideológica e política de direita contra a sua atitude na Secretaria. Ora, parece-me que no processo democrático burguês, esse que vivemos de quatro em quatro anod, quem ganha a eleição nas urnas é para governar. E quando se é eleito o eleitor conhece o programa do candidato, se não conhece votou sem exercer a sua "liberdade" (liberdade no sistema burguês é você brincar que vota livremente). Ora, quando os liberais, através do gênio Cesar Maia, estava no poder, eles brincaram com o Miguel Falabella, com os domingos de Oliveria, com os Cláudios Botelhos, esses gênios da criatividade nacional favorecendo seus projetos. Isso, por acaso não foi e é dirigismo cultural, intervenção do Estado, etc. e tal?

O segundo ponto que chama a atenção na argumentação da dona Barbara Ninguém Lhe Adora, é sobre a "ingerência do Estado na criação artística é fatal(...)" Vamos ver sobre um outro prisma que aqui em São Pauo é muito caro para a criação artística. A ingerência do SESC/SP na atividade cultural de modo geral. Eu nuna li, ouvi ou presenciei uma Barbara qualquer dizendo que os programadores dos SESC's de São Paulo são pequenos aprendizes de Stalin, quando, sem consultar ninguém, sem serem votados para isso, sem formar comissões, escolhem ao seu bel prazer quem vai se apresentar ou não, que vai ser financiado ou não, e o que eles fazem é pago com dinheiro público, dos impostos, ou com o que capta da lei Rouanet. Nesse caso não é ingerencia? Ou esses senhores acreditam que aqueles que trabalham para a ideologia do Capital são mais criativos do que aqueles que não rezam nessa cartilha? Quando o senhor Miguel Falabela deu os teatros cariocas àqueles que bem quis isso foi democrático, não foi ingerência do Estado "fatal para a criação artística?" Ou tudo é fruto de soberba, estilo Domingos de Oliveira - "Eu tenho mais condições de falar de teatro do que qualquer comissão da prefeitura." Porque? Quem lhe deu essa autoridade? Será que ele é um semideus e nós não sabemos? Será que conquistou esse direito por suas obras? Mas que obras são essas? Ele é, por acaso, algum Shaquespeare da Tijuca? Ou apenas porque ele faz parte da elite cultural carioca, com aproximação com os poderosos globais, etc. e tal? Nota - o seu Domingos Oliveria é um beneficiário dos poder público carioca, usa teatro público. Se é tão competente, porque não se estabeleceu independentemente? E o que diz o seu Claúdio Botelho,  e esse é bem honesto deixa claro seu posicionamento ideologico: "Teatro é lugar de artista (ele é um adaptador dos musicais americanos) e não de burocrata. (...) Eu não acreito em pensamentos de grupo, e sim individuais." Ou seja, em se tratando de ideologia nada mais claro que isso. Então, tem razão a elite branca carioca, o que está se dando no Rio de Janeiro, e sem maior significado para a democratização da cultura, é uma coisa besta, mas que faz a direita reagir como se a propriedade estivesse ameaçada, ao contrário da "esquerda" que fica com aquela cara de "perdidos na noite". A secretaria Jandira está apenas fechando o "guichê" dos amigos. Ou como diria Machado de Assis, profundo conhecedor das coisas cariocas: está sendo fechada uma porta da político do QI ( Quem Indica).

Mas, meus leitores, não pensem que isso só esta a acontecer no Rio de Janeiro e contra a Jandira Freghali. Se tem uma coisa que anda tão rápido como virus de gripe é a política de direita. Já tem gente dizendo que o mecanismo do edital, da convocação púbica de fato não é um instrumento democrático e está pensando em levar essa prática política para as áreas federais. Claro, como dizia um Secretário de Cultura do Mário Covas, alegando o porque ele não fazer editais: "Quantos projetos se inscrevem em um dedital? Cem, duzentos e quantos eu posso contemplar, trinta, quarenta? Então, veja só, se dou quarenta e se inscreveram duzentos vou ter cento e sessenta contra a minha gestão. É melhor eu dar logo para um amigo e pronto!" Esse raciocínio, em que a coisa pública é apenas um balcão de negócios dos interesses particulares do ocupante  da pasta, é uma tradição no Brasil que vem dos tempos coloniais. E que até hoje ainda tem seus adeptos e praticantes, inclusive, entre aqueles que se dizem de esquerda. Tenho afirmado aqui nesse blog que esse avanço da direita é em todas as áreas e direções e que é necessário a sociedade reagir.

Querem alguns outros exemplos recentes.  A eleição do Collor para Presidir a comissão de Infra-Estrutura e que foi patrocinada pelo lider do PMDB no Senado -Renan Calheiros - que é amiguinho do Lula, que nada fez para que essa camarilha não tomasse conta do congresso Nacional, dominado agora pelo Senador José Sarney (amigo de Lula e agora do Collor que o chamava de corrupto) e da Camara Federal por Michal Temer. Fora isso, pensem nas delcarações do "impoluto" Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal. A reação da imprensa e da elite branca no caso Batistini. O editorial da Folha de São Paulo chamando a nossa ditadura de "ditabranda" e acusando aqueles que discordarem de fazerem "comércio com a sua perseguição politica". A repentina "radicalização" de instituições como a PENSARTE, que agora bate no Ministro da Cultura como se fossem militantes do Chavismo bolivariano (lógico que isso reflete a perda de alguns privilégios). A crise da Lei de fomento da dança em São Paulo. O sumiço dos parlamentares de "esquerda" das ações na área da cultura? O recuo da Petrobras nos convênios com as instituições federais, que para distribuir suas verbas criaram editais públicos e de acesso universal? O teatrinho sem importância que a maioria de nós tem feito para estreiar em qualquer biboca. A falta de reação dos artistas, que não se locupretaram nas políticas liberais, contra esses desmandos todos. Por exemplo, no Rio de Janeiro, o movimento de Teatro de rua, o Redemoinho está contra a política da dona Jandira e a favor da dona Barbara Heliodora? Os assassinos da Doroty, de Belem do Pará, que estão soltos depois de condenados. O senhor Gilmar Mendes dando liminar para o senhor Daniel Dantas e falando em seriedade e dignidade ao Presidente da República. O medo de todos nós de vir a público e mostrar a sua indignação. Nuvens negras estão no horizonte...

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ainda há espaço para a sua indignação! ocupe-o ou cale para sempre!        



Escrito por maiafolias às 07h56 PM
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